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Economia

UBS vê três forças pressionando mercado brasileiro e mantém cautela com ações

Instituição aponta disputa eleitoral, cenário fiscal e juros globais altos como fatores que moldam o comportamento do câmbio e das ações no país

Por Redação Diário Local

O mercado brasileiro opera sob a influência de três forças principais: uma disputa presidencial competitiva, a deterioração do cenário fiscal e um ambiente global de juros estruturalmente altos, afirmou o banco UBS em relatório nesta terça-feira (22).

De acordo com a instituição, esses fatores determinam o comportamento do câmbio, dos juros e das ações no país. O banco mantém uma postura neutra para a renda variável doméstica, argumentando que, embora as ações brasileiras negociem com desconto em relação ao histórico e aos mercados internacionais, falta um gatilho claro para uma recuperação mais forte.

A equipe de estratégia do UBS observa que, apesar da melhora na inflação e da desaceleração da atividade, o foco do investidor permanece na trajetória da dívida pública e no desenho da política fiscal após o período eleitoral.

Por que o banco mantém cautela com a Bolsa?

Para o UBS, uma reprecificação mais ampla da Bolsa brasileira depende de uma melhora consistente na percepção fiscal. O principal desafio identificado não está no curto prazo, mas na capacidade do país de estabilizar a dinâmica da dívida pública nos próximos anos.

O relatório aponta que setores ligados a commodities permanecem relativamente protegidos devido aos preços elevados do petróleo e de outras matérias-primas. No entanto, o cenário político traz incertezas sobre como será a condução da economia a partir de 2027.

Atualmente, a dívida bruta do país alcança cerca de 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o déficit nominal acumula 9,3% do PIB em um período de 12 meses. O crescimento das despesas obrigatórias tem sido um ponto de atenção, mesmo com o aumento das receitas federais.

Como funciona a perspectiva para o câmbio e juros?

No mercado de câmbio, o real tem encontrado suporte no diferencial de juros, sendo beneficiado por um dos maiores prêmios entre os mercados emergentes, além do desempenho das exportações. Contudo, o UBS avalia que a valorização da moeda tende a ser limitada até que haja maior clareza sobre o cenário político e fiscal pós-eleições.

O banco trabalha com um cenário de depreciação gradual da moeda, descartando, por enquanto, uma deterioração desordenada, mas ressalta que a incerteza eleitoral exigirá um prêmio de risco no câmbio brasileiro.

Sobre a taxa Selic, a instituição projeta que o Banco Central deve continuar a redução dos juros após o corte de 0,25 ponto percentual realizado em setembro. No entanto, o ciclo de flexibilização monetária deve enfrentar limitações devido às preocupações com a inflação de longo prazo, preços de serviços e possíveis choques no petróleo e no clima.

Quais são as recomendações de investimento?

Diante do cenário atual, o UBS mantém preferência por ativos internacionais e títulos indexados à inflação, que são classificados como "atraentes".

A visão para ações brasileiras, títulos prefixados, pós-fixados e fundos imobiliários permanece neutra. A estratégia busca equilibrar o potencial de ganhos de um mercado acionário descontado com os riscos associados ao ciclo eleitoral e à situação fiscal do país.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.