Empresas voltam a valorizar experiência e senioridade para enfrentar cenários de alta complexidade
Estudos indicam que organizações buscam líderes com maior bagagem para lidar com tecnologia e tomada de decisão sob pressão.
Por Redação Diário Local
As empresas estão voltando a valorizar a experiência profissional como um ativo estratégico para lidar com cenários de alta complexidade. Diferentes levantamentos indicam que organizações buscam líderes com capacidade de conduzir transformações e tomar decisões sob pressão, competências que costumam ser construídas ao longo de décadas de carreira.
O movimento reflete uma mudança de foco: em vez de priorizar apenas a velocidade de inovação, o mercado tem buscado previsibilidade e repertório. Segundo Matteo Tonello, diretor de benchmarking e análise de dados da Conference Board, a idade tem deixado de ser o principal critério de decisão, dando lugar à capacidade de assumir empresas em momentos críticos, dado que o grupo de candidatos qualificados para essas funções é limitado.
Por que a experiência voltou a ser uma vantagem?
A necessidade de navegar em ambientes incertos tem impulsionado o retorno de executivos veteranos. De acordo com levantamento citado pelo Wall Street Journal, cerca de 40% dos CEOs que retornam ao comando de empresas após a aposentadoria conseguem repetir ou até superar o desempenho obtido em sua primeira passagem pelo cargo.
Além disso, o papel das lideranças tem se transformado. Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática de Finanças da Russell Reynolds Associates, afirma que o cargo de CFO (diretor financeiro) consolidou um mandato ampliado em 2025, exigindo atuação em estratégia e comunicação com investidores, além das finanças tradicionais.
Essa transformação é confirmada por dados. Um levantamento global da Russell Reynolds Associates apontou que, no Brasil, 65% dos novos diretores financeiros já haviam exercido a função anteriormente, evidenciando a preferência por profissionais que já possuem o histórico no cargo.
O impacto da tecnologia e da longevidade
A inteligência artificial (IA) também desempenha um papel nesse cenário. Embora a tecnologia acelere mudanças, ela demanda lideranças capazes de integrar ferramentas digitais com gestão de pessoas. Segundo a EY, 84% dos CEOs brasileiros acreditam que a qualificação da força de trabalho em IA será um fator decisivo para o sucesso das empresas no mercado.
Somado a isso, o envelhecimento da população tem garantido carreiras mais longas. A pesquisa da Senior Sistemas indica que a remuneração média no Brasil continua avançando até o intervalo entre os 46 e 55 anos, período em que os profissionais atingem seu maior patamar salarial.
Estudos sobre o mercado de trabalho mostram que a longevidade tem ampliado o tempo de permanência de profissionais no mercado, criando novas oportunidades para executivos, inclusive no caso de mulheres acima dos 50 anos, que encontram novos espaços de crescimento profissional.
