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Geopolítica

Venezuela avalia deixar a Opep em negociações com Estados Unidos por campos de petróleo

Discussão envolve o arrendamento de campos petrolíferos por até 100 anos e reforça influência de Washington sobre o setor energético venezuelano

Por Redação Diário Local

A Venezuela avalia a possibilidade de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. A medida tem sido discutida em conversas com autoridades dos Estados Unidos, embora nenhuma decisão final tenha sido tomada até o momento.

A eventual retirada do cartel ressalta a reconfiguração política em Caracas após a queda de Nicolás Maduro e a ascensão da presidente interina Delcy Rodríguez. O governo dos Estados Unidos tem negociado para assumir uma participação relevante nos campos de petróleo do país.

Entre os modelos considerados para essa parceria, fontes indicam que um dos planos prevê o arrendamento de diversos campos petrolíferos por um prazo de 100 anos. O governo americano não comentou as negociações e o Ministério da Informação da Venezuela também não respondeu a pedidos de informações.

O que muda para o mercado de petróleo?

A produção venezuelana sofreu um forte declínio nos últimos anos devido a sanções e turbulências internas. Em julho, o país produziu 1,16 milhão de barris por dia, volume que representa menos da metade do que era registrado há dez anos.

Devido a esse nível reduzido de extração, especialistas apontam que uma saída da Venezuela da Opep dificilmente causaria um impacto imediato no mercado global de petróleo. Atualmente, o setor é mais influenciado por outros fatores, como as relações entre Estados Unidos e Irã.

A saída poderia, no entanto, ajudar a maximizar a produção da Venezuela no longo prazo ao libertar o país de eventuais cotas futuras impostas pelo cartel, o que permitiria a implementação de planos energéticos norte-americanos sem as restrições da organização.

O contexto político da relação entre os países

As relações entre Washington e Caracas passaram por uma transformação desde a captura de Maduro pelas forças americanas, em 3 de janeiro. Desde então, os Estados Unidos reestabeleceram relações diplomáticas, reabriram embaixada e iniciaram negociações diretas com a administração de Delcy Rodríguez.

Como parte da estratégia, o governo americano tem utilizado o alívio de sanções e o acesso ao sistema financeiro internacional para direcionar políticas no país. Em abril, a empresa Chevron concordou com uma troca de ativos que ampliará suas operações na Venezuela.

A Venezuela foi um dos cinco países fundadores da Opep em 1960. Contudo, a relevância do grupo tem enfrentado desafios com a expansão da produção de petróleo de xisto nos Estados Unidos e novas descobertas em países como Brasil e Guiana.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.