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Investigação

Advogado entrega detalhes de como Vorcaro movimentava bilhões para paraíso fiscal

Planilha enviada à Polícia Federal mostra uso de papéis sem valor da CIB como moeda de troca para transferir ativos reais para offshore.

Por Redação Diário Local

O advogado Daniel Monteiro entregou à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma lista detalhada com mais de 500 contratos e aditivos que detalham a movimentação de bilhões de reais no ecossistema financeiro de Daniel Vorcaro. Os documentos descrevem como o banqueiro utilizava empresas, bancos e dezenas de fundos de investimento para transferir ativos reais para um paraíso fiscal.

A documentação foi apresentada por Monteiro durante sua defesa em um inquérito no qual é investigado por suposta participação em pagamento de propina ao senador Jaques Wagner. O material entregue pode auxiliar as autoridades a entender como o patrimônio de Vorcaro era ocultado por meio de uma estrutura financeira complexa.

As investigações apontam que as maiores transações, que somam bilhões de reais, utilizavam como moeda de troca direitos creditórios da Construtora Industrial Brasileira (CIB). Tais créditos, precificados em R$ 35 bilhões, referem-se a uma dívida bilionária da União pela construção de uma estrada no Norte do país, mas não possuem valor real de mercado.

Na prática, esses papéis sem valor circulavam entre empresas e fundos da estrutura de Vorcaro para serem trocados por ativos de efetiva liquidez, como ações listadas na bolsa de valores e cédulas de crédito bancário (CCB).

Como funcionava a troca de ativos?

Um caso registrado ocorreu em dezembro de 2024, envolvendo o fundo Montenegro e o fundo Esperanza. O fundo Montenegro entregou R$ 800 milhões obtidos com a venda de ações das empresas Light e Veste, enquanto o fundo Esperanza entregou em troca os papéis da CIB.

A planilha enviada à polícia demonstra que o fundo Esperanza utilizou esses créditos para o pagamento de mais de R$ 6 bilhões em ativos ligados ao grupo Master. Nessas operações, fundos recebiam ativos líquidos e entregavam os papéis da CIB em substituição.

O próprio Daniel Vorcaro teria recebido R$ 1,89 bilhão em direitos creditórios da CIB em uma única transação. Em contrapartida, ele repassou ao Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) Esperanza cotas da Master Holding Cayman, uma offshore mantida por ele nas Ilhas Cayman.

O sistema de autopagamento

Para montar o patrimônio da offshore caribenha sem a necessidade de aportes de dinheiro novo, a estrutura recorria a um sistema de autopagamento. Entre janeiro e abril de 2025, o fundo Hans 95, um dos alvos da investigação Carbono Oculto, exemplificou essa prática.

O Hans 95 comprou uma carteira de 15 fundos de investimento brasileiros ligados ao ecossistema Master, realizando o pagamento integral com os papéis da CIB. O fundo atuava como um intermediário na movimentação de ativos de Vorcaro entre diversas camadas financeiras.

Após a aquisição, o Hans 95 repassou os 15 fundos para a offshore de Vorcaro nas Ilhas Cayman. Em troca, a empresa no exterior entregava ações que foram posteriormente negociadas com o FIDC Esperanza por R$ 1,55 bilhão, também pagos com os créditos da CIB.

O mecanismo permitia que a Master Holding, sob controle de Vorcaro como pessoa física, tornasse-se dona de fundos e empresas no Brasil. Enquanto isso, os fundos de investimento brasileiros ficavam com os papéis sem valor da CIB, funcionando como moeda contábil.

A lista completa entregue por Monteiro ao STF e à Polícia Federal inclui mais de 60 fundos de investimento. Entre eles, estão fundos de direitos creditórios, de participação, de ações e multimercado, todos envolvidos nas operações do ecossistema Master.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.