Diário Local
Internacional

Ondas de calor na Itália ameaçam produção e aumentam custos do queijo Parmigiano Reggiano

Temperaturas elevadas reduzem a produção de leite e disparam gastos com energia para resfriamento de vacas e estoques na Itália

Por Davy Albuquerque

Ondas de calor na região da Emília-Romanha, na Itália, estão ameaçando a produção e elevando os custos da indústria do queijo Parmigiano Reggiano. As temperaturas extremas, que ultrapassam os 40°C, afetam diretamente a disponibilidade de leite e os gastos com infraestrutura de resfriamento.

O presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, Nicola Bertinelli, afirmou que o calor impacta tanto a qualidade quanto a quantidade do leite. Com as temperaturas elevadas, as vacas passam mais tempo deitadas, comem menos e a produção leiteira pode recuar em até 10%.

A produção do queijo é rigorosa: as vacas devem ser alimentadas exclusivamente com capim e feno produzidos na região. No entanto, a falta de chuvas dificulta o crescimento do pasto, o que compromete a matéria-prima essencial para o processo.

Por que os custos de produção estão subindo?

Para proteger os animais, os produtores precisaram instalar ventiladores e sistemas de nebulização de água. Essas medidas de resfriamento causaram um disparo nos gastos com energia elétrica nas fazendas.

O impacto também é sentido nos armazéns onde as rodas de queijo passam pelo processo de maturação, que dura entre 12 meses e três anos. O diretor da Magazzini Generali delle Tagliate (MGT), Giancarlo Ravanetti, relatou que o consumo diário de energia nas instalações aumentou cerca de 30% durante os picos de calor deste ano.

Para mitigar os gastos, a MGT informou que tem buscado aumentar a eficiência energética por meio de melhorias no isolamento dos edifícios, aprimoramento de sistemas de refrigeração e ampliação da produção de energia renovável.

Impacto econômico e exportações

A indústria do Parmigiano Reggiano é um pilar econômico na região, com uma receita estimada em 4,5 bilhões de euros por ano. Em 2025, o setor registrou que as exportações representaram mais de 50% das vendas globais, tendo os Estados Unidos como o principal mercado externo.

Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas do grupo GranTerre, destacou que eventos climáticos extremos e duradouros podem elevar os custos e afetar a qualidade do produto final. O grupo GranTerre registrou uma receita de 1,87 bilhão de euros em 2025.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.