Importação de petróleo pela China cai ao menor nível em quase 10 anos
Em junho, os embarques de óleo bruto para a China despencaram 41,3% em comparação ao mesmo período do ano passado, atingindo o nível mais baixo desde 2016.
Por Davy Albuquerque
As importações de petróleo bruto da China sofreram uma queda de 41,3% em junho, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O volume de embarques atingiu quase 29,3 milhões de toneladas, registrando o menor nível mensal em quase dez anos.
Os dados, divulgados pela Administração Geral de Alfândegas na terça-feira (14), mostram que o volume de junho representou uma redução diária de 4,9 milhões de barris em relação ao ano passado. O resultado é o mais baixo desde outubro de 2016.
Por que a demanda chinesa recuou?
A queda acentuada reflete uma mudança no perfil de consumo do maior comprador de petróleo do mundo. A alta dos preços, motivada por conflitos no Oriente Médio, somada à rápida adoção de veículos elétricos, tem remodelado a demanda energética no país.
De acordo com a consultoria GL Consulting, a demanda por gasolina e diesel na China caiu entre 10% e 13% desde abril, em relação ao ano anterior. O alto custo dos combustíveis também tem incentivado motoristas a migrarem para veículos híbridos e elétricos.
Daan Struyven, pesquisador da Goldman Sachs, informou que a demanda global por petróleo recuou 5 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2026. Segundo o especialista, cerca de 90% dessa perda global deve ser temporária, já que a demanda asiática é sensível aos preços.
Impacto nos estoques e na indústria
O fechamento do estreito de Ormuz no primeiro semestre deste ano elevou os custos para o comprador chinês. Em junho, os preços médios de importação de petróleo bruto subiram 55% em relação aos patamares anteriores, chegando a US$ 105,4 por barril.
Como reflexo dos preços altos, os estoques nacionais de gasolina e diesel atingiram os níveis mais elevados desde 2024. Por outro lado, os estoques de petróleo bruto permanecem na mínima de três anos, enquanto as margens de operação das refinarias caíram.
Simultaneamente, o cenário de preços altos e a oferta restrita de produtos químicos importados geraram oportunidades para a indústria de carvão na China. Dados da Mysteel indicaram que, em 3 de julho, as taxas de operação de fábricas de metanol e ureia atingiram 103,8% e 102,1%, respectivamente.
