Canal da Morte no Equador acumula dezenas de cadáveres e reflete violência de grupos criminosos
Local de irrigação em Guayaquil virou ponto de descarte de cadáveres após o aumento da violência e do crime organizado no país
Por Diário Local
O canal de irrigação de Nueva Prosperina, localizado no noroeste de Guayaquil, tornou-se um depósito de cadáveres a céu aberto devido ao domínio do crime organizado no Equador. O canal, que possui mais de 45 quilômetros de extensão, é utilizado para o descarte de corpos após execuções cometidas por grupos criminosos.
Construído há mais de uma década para fins de irrigação agrícola, o local passou a ser usado para desovar cadáveres após a pandemia, de acordo com relatos de moradores. A área é caracterizada pela falta de iluminação pública, ausência de câmeras de segurança e pela presença de água contaminada.
Segundo moradores da região, o acesso ao canal é controlado por homens armados em motocicletas. A violência atinge diretamente as famílias residentes, que relatam medo constante de represálias e dificuldades de denúncia devido à influência do crime em órgãos de segurança.
O que dizem as autoridades sobre as descobertas?
Desde 2023, a polícia forense realizou a retirada de mais de 100 corpos do canal. Entre os achados, foram encontrados cadáveres dentro de sacos e outros sem roupas. Em novembro, agentes localizaram uma vala contendo partes de corpos, como cabeças, braços e torsos.
O tenente Christian Echeverría, da unidade que investiga mortes violentas, afirmou que o local é utilizado para o descarte de vítimas que são executadas na região ou em pontos acima e levadas pela correnteza. O policial relatou ter perdido a contagem do número de corpos recolhidos durante seu período de atuação em Guayaquil.
Guayaquil é um porto estratégico utilizado por organizações criminosas para o envio de cocaína para os Estados Unidos e Europa, o que intensifica os conflitos locais.
Cenário de violência e denúncias de abusos
O Equador registrou, em 2025, uma média de um homicídio por hora, segundo dados oficiais. Somente na cidade de Guayaquil, foram registrados mais de 900 homicídios entre janeiro e maio do mesmo ano.
Paralelamente ao combate ao crime organizado, cresceram as denúncias de abusos cometidos por agentes do Estado. Um relatório do Comitê das Nações Unidas para o Combate aos Desaparecimentos Forçados (CED) informou ter recebido, desde 2024, ao menos 51 denúncias de desaparecimentos supostamente praticados por policiais e militares.
O atual governo, liderado pelo presidente Daniel Noboa, atua sob um estado de exceção quase permanente para tentar controlar a criminalidade, com apoio dos Estados Unidos em ações contra o narcoterrorismo.
