China restringe exportação de terras-raras para 13 empresas europeias e universidade polonesa
Medida do Ministério do Comércio da China impede venda de itens de uso duplo para instituições da Europa e Polônia.
Por Redação Diário Local
O Ministério do Comércio da China incluiu, na última sexta-feira (24), 13 companhias europeias e uma universidade polonesa em uma lista de restrição de exportações de itens de uso duplo. A medida impede, na prática, a venda de terras-raras para essas instituições sem a autorização prévia do governo chinês.
Os produtos restritos são classificados como de uso duplo por terem aplicações tanto no setor civil quanto no militar. A decisão amplia o cenário de disputas comerciais e de tensão diplomática entre a China e a União Europeia (UE).
A sanção chinesa foi aplicada um dia depois de o bloco europeu sancionar 14 empresas chinesas em uma nova rodada de sanções contra a Rússia. Segundo a União Europeia, tais companhias auxiliavam o esforço de guerra russo no conflito contra a Ucrânia.
Como resposta às sanções do bloco, o governo chinês concentrou as novas restrições em entidades ligadas ao setor de defesa europeu. Entre os nomes listados está a alemã Rheinmetall, fabricante de blindados, sistemas de artilharia, tecnologias de defesa aérea e munições.
A França foi o país mais atingido pela medida, com três empresas incluídas na lista de restrições. A Polônia também sofreu impacto com a penalização da Universidade de Ciência e Tecnologia de Wroclaw, única instituição de ensino afetada.
De acordo com informações do jornal chinês South China Morning Post, a universidade polonesa foi alvo da medida por participar de projetos militares da União Europeia. A restrição de acesso a materiais essenciais é uma das principais armas de pressão comercial de Pequim.
Além do embate no setor de defesa, China e União Europeia também intensificaram disputas relacionadas ao comércio eletrônico nas últimas semanas. Órgãos reguladores europeus aplicaram multas pesadas a empresas como Shein e AliExpress, nos valores de 22,5 milhões de euros (R$ 130 milhões) e 550 milhões de euros (R$ 3,2 bilhões), respectivamente.
A lista de entidades sancionadas pela China engloba as empresas alemãs Rheinmetall, Sindlhauser Materials e Antraco; as italianas Garnet Automazione & Robotica e Lafert SpA; e as francesas InPACT, III-V Lab e Cavok.
Também foram incluídas na lista de restrições a Vigo Photonics e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Wroclaw (Polônia); a IHC (Holanda); a Tatra (Tchéquia); a Opticoelectron (Bulgária) e a Ekspla (Lituânia).
