Coalizão europeia anuncia plano para criar defesa compartilhada contra mísseis balísticos
Grupo de países busca construir capacidade de defesa integrada para neutralizar ameaças vindas da Rússia e proteger o continente.
Por Davy Albuquerque
Uma coalizão de países europeus e a Ucrânia anunciou a criação de um plano para construir uma capacidade de defesa compartilhada contra mísseis balísticos. O objetivo do grupo é estabelecer uma arquitetura integrada de defesa que permita neutralizar ameaças e proteger o continente europeu.
O anúncio foi feito após encontros em Paris entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o presidente francês, Emmanuel Macron. A iniciativa foca principalmente no enfrentamento dos mísseis lançados pela Rússia, que tem utilizado esse tipo de armamento com maior frequência no conflito contra a Ucrânia.
A necessidade de um novo sistema de defesa tornou-se evidente após um ataque registrado no último dia 6, quando a Rússia disparou 23 mísseis balísticos contra Kiev. Na ocasião, os sistemas de defesa ucranianos não conseguiram realizar a interceptação de nenhum dos projéteis.
Por que os mísseis balísticos preocupam o continente?
Diferente dos mísseis de cruzeiro, que costumam voar em altitudes baixas para evitar radares, os mísseis balísticos são lançados a centenas de quilômetros de altura. Por percorrerem trajetórias fora da resistência do ar, eles atingem velocidades altíssimas, podendo chegar a 3.200 km/h na fase final de descida.
Essa característica gera uma alta energia cinética, o que torna a interceptação muito mais complexa do que a de outros armamentos. Um exemplo de preocupação para as autoridades é o sistema russo Oreshnik, que utiliza tecnologia hipersônica. Com velocidades que podem alcançar 13 mil km/h e alcance de 5.500 km, o armamento tem capacidade de atingir grande parte da Europa a partir da Rússia ou de Belarus.
Dependência de tecnologia externa
Atualmente, a principal ferramenta utilizada pela Ucrânia para enfrentar mísseis balísticos é o sistema Patriot, fabricado pela empresa americana Raytheon Technologies. Considerado um dos mais avançados do mundo, o sistema é móvel e opera com radares de rastreamento para interceptação de alvos.
Apesar da importância estratégica, a Força Aérea da Ucrânia enfrenta uma escassez de unidades do Patriot. Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha manifestado a intenção de permitir que a Ucrânia produza mísseis para o sistema de forma independente, especialistas alertam que a implementação dessa capacidade industrial levaria anos.
A Europa também tenta reduzir essa dependência por meio de projetos próprios, como o HYDIS e o EU HYDEF. Essas iniciativas de defesa antimísseis estão em desenvolvimento há cerca de três anos, mas o continente segue dependente de tecnologias como a do sistema Patriot para garantir sua proteção imediata.
Composição da coalizão
A coalizão recém-anunciada é formada inicialmente por dez países: Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Reino Unido e a Ucrânia. A coalizão afirmou, em comunicado, que pretende utilizar a experiência adquirida pela Ucrânia no campo de batalha para fortalecer a segurança regional.
Ainda não existe um cronograma definido para a implementação das novas capacidades de defesa, e o grupo permanece aberto à adesão de outras nações europeias. A movimentação ocorre em um cenário de tensão crescente, com o presidente russo, Vladimir Putin, prometendo retaliações aos ataques de longo alcance realizados pela Ucrânia.
