Novo governo da Colômbia intensifica operações contra grupos armados
Presidente Abelardo de la Espriella adota postura de linha dura, gerando incerteza sobre o futuro do programa de desmobilização de ex-combatentes.
Por Redação Diário Local
O novo governo da Colômbia iniciou uma ofensiva contra grupos armados ilegais que pode se tornar a maior em mais de dez anos. O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo em 7 de agosto, começou a desmontar a estratégia de paz adotada pelo governo anterior, de Gustavo Petro.
A mudança de postura deixa em dúvida o futuro de 86 homens e 13 mulheres que se desmobilizaram durante a iniciativa de “Paz Total”. Os ex-combatentes vivem em alojamentos simples e aguardam a conclusão de seis meses de treinamento profissional e apoio para reintegração à vida civil.
O que muda na segurança do país?
Desde o início do mandato, as Forças Armadas colombianas já realizaram operações contra pelo menos três grupos armados. No dia 10 de agosto (domingo), em uma ação próxima à fronteira com a Venezuela, as tropas informaram a morte de dois supostos integrantes da guerrilha ELN.
A tensão aumentou após uma resposta de rebeldes, que utilizaram um drone para realizar um ataque que resultou na morte de ao menos um soldado. Segundo o ex-comandante das Forças Armadas, Alberto José Mejía, a situação de segurança atual é crítica e grupos como o ELN podem reagir com atentados em grandes centros urbanos.
As Forças Armadas relatam que os grupos armados começaram a recuar para áreas montanhosas e regiões remotas da selva para se prepararem para o aumento dos confrontos.
Quais são as novas estratégias do governo?
O presidente De la Espriella tem defendido uma linha de atuação mais rígida contra o narcotráfico. Entre as medidas sinalizadas estão a ameaça de retomar a pulverização aérea de herbicidas para destruir plantações de coca e o uso de bombardeios contra acampamentos de grupos armados.
O governo também planeja instalar, em Medellín, uma base da aliança regional de segurança denominada Shield of the Americas, com apoio dos Estados Unidos. Na economia, o presidente defende que a melhora da segurança pode impulsionar a produção de combustíveis fósseis e o uso de fracking (fraturamento hidráulico).
Por outro lado, a mudança de política gera preocupação em comunidades de regiões produtoras, como Putumayo. Moradores locais questionam a estratégia de combate, apontando que a destruição das plantações de coca afeta a única fonte de renda de muitas comunidades.
