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Estados Unidos

Candidatos nos Estados Unidos disputam apoio de eleitores com foco no consumo de carne

Republicanos e democratas usam preferências alimentares e histórico de ativismo para atacar adversários em estados como Texas e Colorado

Por Redação Diário Local

O consumo de carne bovina tornou-se um tema central de disputa política nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Candidatos dos partidos Democrata e Republicano utilizam o hábito alimentar para questionar a conexão cultural de seus adversários com os eleitores e para discutir o impacto dos preços no cotidiano da população.

No Mississippi, a disputa ganhou contornos inusitados quando o candidato democrata ao Senado, Scott Colom, atacou a senadora republicana Cindy Hyde-Smith. Colom divulgou um vídeo no qual a atual ocupante do cargo sugere que, diante dos altos preços da carne bovina, os consumidores teriam "muitas outras opções de proteína para escolher". Em resposta, o democrata exibiu imagens de um homem preparando hambúrgueres para criticar a postura da adversária.

Em outras regiões do país, a estratégia republicana costuma focar na imagem de candidatos democratas como sendo defensores do veganismo ou hostis às indústrias pecuárias locais. No Texas, o candidato ao Senado James Talarico enfrenta críticas por uma declaração de 2022, na qual afirmou que sua campanha havia deixado de comprar carne para adquirir apenas produtos veganos. Para rebater as acusações de que não representa os valores texanos, Talarico tem feito aparições públicas comendo churrasco.

Como ocorre a disputa no Colorado?

No Colorado, o debate envolve o histórico de ativismo de Manny Rutinel, candidato democrata ao Congresso. Os republicanos utilizam o fato de Rutinel ter fundado uma organização que defendia a redução do consumo de carne e ter apoiado o aumento de impostos sobre laticínios e carnes para questionar sua idoneidade perante o setor produtivo. O candidato também é alvo de críticas por sua ligação com a organização PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais).

A disputa ocorre em uma região do nordeste do estado marcada pela presença de ranchos, fazendas leiteiras e unidades de processamento, incluindo a sede da JBS Swift. O adversário republicano, Gabe Evans, afirma que a questão não é o cardápio pessoal de Rutinel, mas o risco de o governo usar o poder estatal para forçar mudanças nos hábitos alimentares da população.

Manny Rutinel, de 31 anos, tem buscado neutralizar as críticas ao aparecer publicamente consumindo alimentos à base de carne, como tacos. O candidato conta com o apoio do sindicato dos trabalhadores da indústria frigorífica e defende que a preocupação principal do eleitor não é o que ele come, mas sim a capacidade de pagar pelo que está no prato.

O cenário reflete uma polarização que vai além da economia, utilizando símbolos culturais para tentar isolar adversários políticos. Enquanto um lado foca na defesa da indústria e dos valores tradicionais, o outro tenta deslocar o debate para a questão do custo de vida e do poder de compra dos consumidores.

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos seguem com o tema da segurança alimentar e dos valores culturais no centro das estratégias de mobilização de ambos os partidos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.