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Amazônia

Emissões de carbono na Amazônia podem chegar a 1,5 bilhão de toneladas por ano, aponta Inpe

Estudo do Inpe mostra que atividade humana intensa, com desmatamento e queimadas, eleva emissões de CO2 em quase 1,2 bilhão de toneladas.

Por Redação Diário Local

As emissões de carbono na Amazônia podem atingir 1,58 bilhão de toneladas anuais em períodos de intensa atividade humana, como desmatamento e queimadas, segundo estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A pesquisa, que analisou 15 anos de medições de carbono na floresta, mostra que o impacto do desmatamento e das queimadas eleva significativamente a liberação de CO2. Em anos com menor pressão humana e maior umidade, as emissões caem para 408 milhões de toneladas, uma diferença de quase 1,2 bilhão de toneladas anuais.

O levantamento, liderado por Luciana Gatti e outros 32 colaboradores, foi publicado na revista Nature e destaca como a degradação afeta o equilíbrio climático da região, que é responsável por regular chuvas e temperaturas em escala continental.

Como o clima da região tem mudado?

De acordo com os dados climáticos analisados, a temperatura média anual na Amazônia subiu 1,13°C em um período de 46 anos. Além do aumento do calor, a precipitação média na região sofreu uma redução de 8%.

Outro dado relevante é a mudança no regime de chuvas: o volume máximo registrado durante o período de seca recuou 20%. Esse cenário é agravado pela abertura de clareiras pelo desmatamento, que ressecam o solo e reduzem a evapotranspiração, enfraquecendo o ciclo de chuvas produzido pela própria floresta.

As queimadas também contribuem para o problema ao liberar o carbono acumulado por décadas e destruir a camada de matéria orgânica necessária para a biodiversidade.

O risco de transformação em savana

O estudo alerta para o chamado ponto de inflexão, momento em que a floresta perde a capacidade de se regenerar e começa a se transformar em um ecossistema de savana. Modelos climáticos indicam que partes do leste e do sul da Amazônia já estão próximas desse limite.

A transformação da floresta em savana interromperia o ciclo de chuvas, o que poderia afetar a produção agrícola em metade da América do Sul. Além disso, a perda da biodiversidade comprometeria recursos com potencial farmacológico, agrícola e industrial.

O estudo reforça que medidas como a redução de queimadas, o controle do desmatamento e o investimento em monitoramento e fiscalização são caminhos comprovados para mitigar esses efeitos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.