Ataques russos transformam o cotidiano em Kiev e aproximam capital ucraniana da linha de frente da guerra
Bombardeios constantes obrigam moradores a buscar abrigo em estações de metrô e geram insegurança no cotidiano da capital ucraniana.
Por Redação Diário Local
O cotidiano na capital ucraniana, Kiev, tem se transformado devido aos contínuos ataques do exército da Rússia, aproximando a cidade das condições de uma linha de frente de combate. O aumento da frequência de bombardeios obriga os moradores a passarem as noites em abrigos e altera profundamente a dinâmica urbana, com estações de metrô servindo como dormitórios para a população.
Com uma população de cerca de 4 milhões de habitantes, Kiev enfrenta a falta de abrigos suficientes para todos. Por isso, o sistema de metrô tornou-se um dos principais refúgios. Nas estações, as pessoas utilizam colchões e estruturas improvisadas para dormir durante as horas de alerta, em um cenário de alta tensão e disputas por espaço.
Impactos na educação e segurança infantil
A vida das crianças também é afetada diretamente pelos ataques. Em setembro, o adolescente Daniel Umanskyj, de 14 anos, morreu após um drone russo atingir o prédio onde morava no bairro de Petschersk. Outro episódio ocorreu no início de outubro, quando um drone atingiu uma escola no sudoeste da capital; felizmente, os alunos e professores estavam em abrigos e não houve feridos.
A continuidade das aulas presenciais depende da disponibilidade de abrigos e da duração dos alarmes antiaéreos. Em instituições que não possuem abrigo, o ensino precisa ser realizado de forma online, o que pode comprometer a qualidade do aprendizado. Algumas famílias têm optado por se mudar para cidades menores ou vilarejos para garantir a segurança escolar dos filhos.
Para os pais, o cenário impõe um desafio constante. O medo de que um projétil ou drone atinja as residências ou o trajeto para a escola gera uma insegurança permanente, e muitos precisam decidir entre o trabalho e o cuidado com as crianças em momentos de alerta.
Infraestrutura e serviços sob risco
A infraestrutura de Kiev também tem sido alvo. As forças russas passaram a atacar pontes sobre o rio Dnipro, o que dificulta o deslocamento diário de passageiros e trabalhadores. As pontes agora contam com redes de proteção contra drones e sistemas de defesa aérea, assemelhando-se a zonas de combate.
Além disso, o fornecimento de energia elétrica sofre com cortes emergenciais, iniciados no final de setembro. Os ataques a depósitos e armazéns também provocaram uma escassez de produtos em supermercados, algo que não era observado desde o início da invasão, em 2022. O controle de serviços essenciais, como aquecimento e água, permanece incerto devido aos danos à rede energética.
Atualmente, o toque de recolher na capital ocorre entre 1h e 5h da manhã. Unidades de saúde contam com geradores para manter o atendimento, mas cirurgias podem ser canceladas em casos de alerta vermelho, que indica o risco máximo de ataques de mísseis balísticos ou combinações de grande escala.
Aumento da letalidade em 2026
Os dados oficiais indicam que o ano de 2026 tem sido mais mortal para a capital ucraniana. Segundo a administração militar de Kiev, 140 pessoas morreram nos primeiros oito meses deste ano. Em julho, o número de vítimas foi de 54, e em setembro, 32 civis morreram em ataques.
Comparado ao ano passado, quando 172 moradores de Kiev perderam a vida, a tendência atual sugere que 2026 poderá ser o ano mais violento desde o início do conflito. Apesar do cenário, o Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS) aponta que mais de 70% dos habitantes afirmam que estão dispostos a suportar a guerra pelo tempo que for necessário.
