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Arqueologia

Expedição descobre centenas de estruturas de civilização antiga na Amazônia via laser

Pesquisa com tecnologia laser identificou 432 estruturas da civilização Aquiry, revelando povoados densos na região.

Por Redação Diário Local

Uma expedição internacional identificou 432 estruturas geométricas ocultas pela vegetação no solo da Floresta Amazônica. As construções foram erguidas pela civilização Aquiry, uma sociedade indígena pré-colombiana que habitou o sudoeste da região entre 600 a.C. e 850 d.C.

A investigação foi fruto de uma parceria entre pesquisadores europeus e brasileiros, envolvendo cientistas de universidades federais do Acre e do Pará. Os resultados do levantamento foram publicados na revista Nature nesta quarta-feira (29).

O mapeamento utilizou a tecnologia Lidar, um método de sensoriamento remoto que emite pulsos de laser a partir de uma aeronave para medir distâncias e mapear superfícies terrestres. A técnica permitiu localizar as estruturas sob a cobertura das árvores sem a necessidade de desmatamento ou destruição da mata.

Durante o trabalho de campo, foram investigados 4.497 quilômetros quadrados de floresta. O estudo revelou que, das 432 estruturas encontradas, 396 eram totalmente desconhecidas antes do levantamento realizado pela equipe.

Como são as estruturas encontradas?

As obras de engenharia da civilização Aquiry consistem em terraplenagens delimitadas por valas, algumas com vários metros de profundidade, que se conectam por meio de estradas retas. Pesquisadores acreditam que esses locais eram utilizados para a realização de cerimônias e eventos da sociedade.

Com base na quantidade de exemplares identificados, os cientistas estimam que possam existir até 30 mil obras de terraplenagem feitas pelos Aquiry em toda a região. A escala das construções sugere um nível de organização complexo para o período.

O que a descoberta revela sobre a região?

Os dados indicam que a civilização Aquiry pode ter atingido uma população máxima de até 3 milhões de habitantes em determinado período na Amazônia. De acordo com Martti Pärssinen, um dos autores do estudo, o achado sugere que diversas áreas da floresta podem ter sido muito mais densamente povoadas e modificadas do que se supunha anteriormente.

Apesar do longo tempo de permanência na floresta, os Aquiry deixaram poucos vestígios além das obras de terraplenagem. A descoberta ajuda a detalhar o funcionamento dessa sociedade, mas ainda restam mistérios sobre o seu fim.

Uma das principais questões levantadas pelos pesquisadores é o que teria causado o desaparecimento da civilização entre os anos 850 e 1000 d.C. Novos estudos mais profundos devem ser realizados para tentar responder ao motivo do declínio desse povo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.