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Migração

Famílias procuram por migrantes desaparecidos após tentativa de travessia para Ceuta

Parentes de jovens que tentaram chegar ao enclave espanhol relatam incerteza sobre o paradeiro de familiares após confusão na fronteira.

Por Redação Diário Local

Famílias de migrantes marroquinos buscam informações sobre o paradeiro de parentes que desapareceram durante tentativas de travessia para o enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África. A incerteza sobre o destino de jovens que tentaram chegar ao território espanhol aumentou após uma movimentação de grande escala na fronteira, que resultou em mortes e desaparecimentos.

O fluxo de pessoas, que envolveu mais de 70 mil migrantes, teve o auge na última quinta-feira (31). Segundo autoridades locais, o movimento causou caos na região, com relatos de pessoas rompendo cercas de proteção e nadando até o enclave. No incidente, ao menos 72 mortes foram confirmadas, decorrentes de afogamentos e pisoteamentos durante a corrida pela fronteira.

Um dos casos relatados é o de Omar Lotfi, de 24 anos, que desapareceu no dia 31 de julho (31), após deixar a cidade de Dar Bouazza. Sua irmã, Mariem, informou que ele foi visto pela última vez na cidade marroquina de Fnideq, mas que desde então não houve contato. A família afirmou ter buscado ajuda em hospitais e organizações humanitárias, sem sucesso.

Omar tentou realizar a travessia acompanhado de um amigo, que também está desaparecido. A decisão de migrar pegou os familiares de surpresa. De acordo com a família, a ausência de informações tem gerado sofrimento e medo sobre se o jovem está em segurança, detido ou hospitalizado.

O que se sabe sobre os menores desaparecidos?

O governo de Ceuta estima que existam mais de 800 menores de idade entre os milhares de migrantes que permanecem no território. Entre os jovens com paradeiro desconhecido está Abdullah Al-Hafi, de 17 anos, de quem a família tem notícias desde o dia 30 de julho (30), quando ele seguia para Fnideq.

Outro caso é o de Nada Shiba, de 14 anos. Segundo seu tio, Yousef, a adolescente conseguiu atravessar a fronteira, mas perdeu o contato com a mãe durante o processo. A família relatou que o desaparecimento de menores tem gerado grande preocupação, já que a jovem está sozinha no território espanhol.

Especialistas apontam que a decisão de migrar foi impulsionada por dificuldades econômicas no Marrocos e por mudanças recentes na legislação e decisões judiciais que impactam o status de migrantes. O aumento do fluxo de pessoas levou a Espanha a mobilizar as Forças Armadas para administrar a crise na fronteira.

Ajuda humanitária e pedidos de investigação

A Save the Children na Espanha alertou para a situação de vulnerabilidade de crianças em Ceuta, citando a falta de acesso a alimentos, água e abrigo. A organização destacou que muitos menores podem estar em situação de risco em ruas e florestas da cidade.

A Associação Marroquina de Direitos Humanos solicitou que as autoridades de Marrocos e da Espanha iniciem investigações independentes e transparentes sobre as mortes ocorridas na fronteira. A entidade também pediu apoio para que as famílias possam identificar o destino de seus parentes e recuperar corpos para sepultamentos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.