Gases de efeito estufa atingem níveis sem precedentes na atmosfera, aponta relatório da OMM
Concentração de dióxido de carbono chegou a 426,8 partes por milhão em 2025, sinalizando risco de aquecimento acima do limite de 1,5°C
Por Redação Diário Local
Os gases de efeito estufa atingiram níveis sem precedentes na atmosfera em 2025, conforme apontou o relatório anual da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), divulgado nesta terça-feira (27). As substâncias são responsáveis por aprisionar o calor na Terra, superando a capacidade de compensação dos sistemas naturais.
A concentração média de dióxido de carbono (CO2) na superfície terrestre chegou a 426,8 partes por milhão no último ano. O número equivale a 153% da base de comparação do período pré-industrial, estabelecida em 1750.
Com o ritmo atual de emissões, o planeta pode atingir um aquecimento de 2,8°C até o ano de 2100. A trajetória indica um "overshoot", termo usado por cientistas para descrever o aquecimento acima do limite de 1,5°C previsto no Acordo de Paris, o que pode agravar eventos climáticos extremos.
O que dizem os dados sobre o CO2?
O Boletim de Gases do Efeito Estufa, publicado pela OMM desde 2004, indica que o ritmo de concentração de CO2 na atmosfera triplicou desde a década de 1960. Na última década, o incremento anual do gás saltou de 0,8 ppm para 2,4 ppm.
Entre 2024 e 2025, a taxa de crescimento foi de 2,8 ppm. Embora ligeiramente menor do que no período 2023/2024 — marcado pelo último fenômeno El Niño —, a tendência de alta deve persistir. A vice-secretária-geral da OMM, Ko Barrett, afirmou que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados.
A cientista alertou que o CO2 possui uma vida longa na atmosfera, o que afetará o clima global por décadas ou até séculos. A redução na taxa de crescimento recente foi atribuída à recuperação de sumidouros de carbono terrestres e à menor emissão por incêndios após o El Niño.
Outros gases e riscos na transição energética
O relatório também detalhou a situação de outros gases importantes. O metano (CH4), que responde por um terço do aumento da temperatura global, teve sua concentração em 1.948 partes por bilhão no ano passado, o que equivale a 267% do nível pré-industrial.
Cerca de 60% das emissões de metano atuais vêm de atividades humanas, sendo 40% oriundas da agropecuária e 35% da produção e transporte de combustíveis fósseis. Já o óxido nitroso alcançou 339,1 ppb em 2025, representando 126% do nível pré-industrial.
A OMM também alertou para o aumento no uso do hexafluoreto de enxofre (SF6), utilizado na fabricação de componentes para motores elétricos e semicondutores. O gás, cerca de 23 mil vezes mais potente que o CO2, registrou aumento recorde em 2025. O monitoramento desses novos gases é considerado essencial para evitar que a transição energética comprometa os benefícios climáticos.
