Chefe da divisão de direitos civis do Departamento de Justiça dos EUA pede demissão
Harmeet Dhillon deixa cargo de liderança após reformular prioridades da unidade, focando em porte de armas e combate ao antissemitismo.
Por Redação Diário Local
A chefe da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Harmeet Dhillon, pediu demissão do cargo nesta quinta-feira (5). O anúncio foi realizado pelo procurador-geral Todd Blanche.
A saída de Dhillon ocorre logo após a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (3). Com o resultado, os democratas retomaram a maioria na Câmara e no Senado dos Estados Unidos.
Dhillon, que é aliada do presidente Donald Trump, foi responsável por uma reformulação profunda nas prioridades da divisão de direitos civis. Sob sua gestão, o foco da unidade deixou de ser o combate à discriminação contra minorias raciais e a investigação de polícias locais para focar em temas da agenda do governo, como o direito ao porte de armas e o combate ao antissemitismo em universidades.
A mudança de diretrizes resultou em um êxodo de funcionários de carreira no departamento. Dhillon defendeu publicamente a movimentação, argumentando que os advogados da unidade anterior seguiam prioridades liberais e não estavam dispostos a implementar as políticas da atual gestão.
Durante o período no cargo, a gestora também liderou investigações contra universidades de elite e apurou se cidades governadas por democratas violaram o direito ao porte de armas, previsto na Segunda Emenda da Constituição estadunidense. Em gestões anteriores, a unidade focava em apurar violações sistemáticas cometidas por departamentos de polícia.
Segundo informações de pessoas familiarizadas com o assunto, a demissão também foi motivada por frustrações internas. Dhillon teria sido preterida em promoções dentro do Departamento de Justiça e demonstrava o desejo de retornar ao seu escritório de advocacia, o Dhillon Law Group.
O escritório de Dhillon passou por um processo recente de redução de quadro com a saída de alguns advogados para outras bancas. A profissional pretendia retornar à sua empresa para revitalizar as atividades da banca.
Em nota, o procurador-geral Todd Blanche elogiou a trajetória da gestora. "Ela defendeu as liberdades civis de todos os americanos e aplicou a lei sem medo nem favorecimento", afirmou Blanche ao comunicar a saída.
