Eleitores da Islândia rejeitam retomar negociações para adesão à União Europeia em referendo
Consulta realizada neste sábado (29) decidiu pela não reabertura de conversas com o bloco europeu por temor de perda de controle pesqueiro.
Por Redação Diário Local
A maioria dos eleitores da Islândia rejeitou, em referendo realizado neste sábado (29), a retomada das negociações para a adesão do país à União Europeia (UE). O resultado indica que o debate sobre a integração do país ao bloco europeu deve permanecer paralisado.
De acordo com os dados da consulta, cerca de 52,8% dos votantes foram contra a reabertura das conversas, enquanto 47,2% se posicionaram de forma favorável. A votação não tratava de uma entrada imediata na União Europeia, mas sim da reabertura de negociações que estavam suspensas há mais de dez anos.
Por que os eleitores rejeitaram a medida?
O principal fator de resistência apontado pelos eleitores foi o temor de perder o controle sobre o setor pesqueiro. A atividade é considerada estratégica para a economia islandesa, sendo responsável por aproximadamente 40% das exportações do país.
A consulta também revelou uma divisão geográfica na votação. Enquanto a capital, Reykjavik, concentrou o maior apoio à retomada das negociações, as áreas rurais votaram majoritariamente contra a medida.
O que defendiam os favoráveis à adesão?
Os defensores da reaproximação com o bloco argumentavam que a integração traria maior estabilidade econômica para a Islândia. Entre os benefícios citados estavam a redução da inflação, menores custos de financiamento e o reforço da cooperação internacional em temas como segurança e clima.
A primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, que era favorável à realização do referendo, afirmou que o governo respeitará o resultado decidido pela população.
Histórico de negociações
A Islândia solicitou a adesão à União Europeia em 2009, durante um período de crise financeira, e iniciou oficialmente as negociações em 2010. O processo, no entanto, foi paralisado em 2013 e posteriormente abandonado.
Apesar da decisão do referendo, a Islândia mantém laços de integração com a Europa por meio do Espaço Econômico Europeu e do acordo de Schengen. Esses mecanismos garantem ao país o acesso ao mercado comum sem a necessidade de participação formal na estrutura da União Europeia.
