União Europeia pede que Israel interrompa plano de novos assentamentos na Cisjordânia
Bloco europeu afirma que projeto habitacional na Cisjordânia prejudica a solução de dois Estados e pede cancelamento de licitação
Por Redação Diário Local
A União Europeia instou o governo de Israel a cancelar a licitação e interromper o projeto de assentamentos na área E1, na Cisjordânia ocupada. Em declaração emitida neste domingo (23), a Alta Representante da União Europeia para Assuntos Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, afirmou que a iniciativa de abrir obras para o projeto habitacional prejudica a perspectiva da solução de dois Estados.
A decisão de Israel de publicar licitações de construção foi também condenada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Na última sexta-feira (21), ela classificou o movimento como inaceitável e destacou que o bloco se opõe a essa medida há muito tempo.
O que é o projeto E1?
O Ministério da Habitação de Israel apresentou um plano para a construção de mais de 1.200 unidades habitacionais na área E1, localizada próxima a Jerusalém. O objetivo do governo é estabelecer um bloco contínuo de assentamentos judaicos que se estenda de Jerusalém Oriental até a Cisjordânia.
A implementação do projeto tem o potencial de dividir o território palestino em duas partes, norte e sul, o que impediria a continuidade territorial necessária para a formação de um Estado palestino. Além disso, a área poderia separar Jerusalém Oriental, reivindicada como capital de tal Estado, do restante do território.
As propostas para as construções devem ser entregues uma semana antes das eleições israelenses, previstas para o final de outubro. A organização Peace Now afirmou, em comunicado divulgado na terça-feira (18), que a medida é uma manobra de última hora realizada pelo governo ao final de seu mandato.
Reação internacional e ameaças de sanções
Diversos países ocidentais, como Canadá, Austrália e Alemanha, já haviam alertado empresas contra a participação em obras na região. Na última quinta-feira (21), líderes da França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Noruega e Holanda reiteraram o alerta, citando o nível de violência e a instabilidade na Cisjordânia.
O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, classificou a decisão como um ato destrutivo e afirmou que o país não ficará inativo enquanto a solução de dois Estados for ameaçada, mencionando a possibilidade de sanções. O embaixador palestino nas Nações Unidas, Riyad Mansour, e o governo do Egito também criticaram as novas licitações, chamando a medida de perigosa e ilegal.
Em resposta às críticas, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou que é absurdo o Reino Unido dar lições sobre onde o povo judeu pode residir em sua pátria histórica.
