Missão naval da União Europeia liderada pela Itália aborda petroleiro suspeito de burlar sanções
Operação da União Europeia interceptou o navio Toa Payoh a oeste da Sicília para verificar a validade de documentos de registro.
Por Redação Diário Local
Uma missão naval da União Europeia, liderada pela Itália, abordou, neste domingo (2), o petroleiro Toa Payoh sob suspeita de integrar a chamada "frota paralela" da Rússia. A interceptação ocorreu a oeste da ilha siciliana de Pantelleria, enquanto a embarcação navegava de Benin em direção a Istambul.
O Ministério da Defesa da Itália informou que o objetivo da inspeção é verificar a validade dos documentos de registro do navio e se a embarcação possui o direito legal de utilizar a bandeira de Camarões. Segundo uma fonte familiarizada com a operação, o petroleiro havia alterado seu registro para o país africano apenas na semana passada.
A ação faz parte da operação EUNAVFOR MED Irini, missão naval da União Europeia lançada em 2020 com o objetivo inicial de cumprir o embargo de armas da ONU à Líbia. Recentemente, governos europeus ampliaram o escopo da missão, autorizando-a a realizar inspeções de verificação para fiscalizar o cumprimento de sanções.
Como ocorreu a abordagem?
A operação foi marcada pela falta de cooperação inicial do capitão do Toa Payoh. Diante da resistência, uma equipe de militares italianos realizou a abordagem utilizando um helicóptero lançado pelo Thaon di Revel, navio-almirante da missão EUNAVFOR MED Irini.
A inspeção contou com o suporte de uma embarcação grega e de uma aeronave de patrulha marítima polonesa. O procedimento durou cerca de duas horas e foi concluído com segurança, conforme informações do Ministério da Defesa italiano.
Apesar da abordagem, o petroleiro não foi detido. A missão naval da União Europeia não possui autoridade para apreender embarcações durante essas inspeções, limitando-se à verificação de documentos e conformidade.
Fiscalização de sanções
A documentação recolhida durante a abordagem ainda está sendo examinada pelas autoridades. Caso sejam confirmadas irregularidades, os dados poderão ser utilizados pelas autoridades nacionais para uma eventual apreensão ou sequestro da embarcação.
Esta é a segunda operação desse tipo realizada em menos de duas semanas. No dia 20 de julho (sábado), a força EUNAVFOR MED Irini também inspecionou o petroleiro MV South Star, que também é suspeito de navegar sob bandeira falsa para auxiliar a Rússia a contornar restrições às exportações de petróleo.
A União Europeia mantém o escrutínio sobre dezenas de embarcações suspeitas de participarem da referida "frota paralela". O grupo é utilizado para mitigar o impacto das sanções internacionais impostas ao petróleo russo desde o início da invasão da Ucrânia.
