Quase 60% dos prefeitos na Alemanha exercem cargos de forma voluntária e sem salário fixo
Cerca de 60% das prefeituras alemãs são administradas por profissionais que conciliam a gestão pública com outras atividades e recebem apenas honorários.
Por Redação Diário Local
Cerca de 60% dos prefeitos na Alemanha exercem seus cargos de forma voluntária, conciliando a função pública com outras atividades profissionais ou familiares. De acordo com um estudo publicado pela editora Springer Nature, esses gestores dedicam, em média, 25 horas semanais ao trabalho municipal.
O modelo de gestão não prevê salário fixo, mas sim o pagamento de honorários para compensar o tempo dedicado e os custos do exercício da função. O valor dessa remuneração varia conforme o estado e o tamanho do município. Na Renânia-Palatinado, os valores recebidos ficam entre 350 e 2.937 euros.
Para efeito de comparação, o salário-mínimo na Alemanha é de aproximadamente 2.400 euros mensais para uma jornada de 40 horas semanais.
Desafios da gestão voluntária
Apesar do engajamento comunitário, os prefeitos voluntários enfrentam obstáculos crescentes. A burocracia administrativa é apontada como uma das principais dificuldades, gerando pedidos por maior otimização e digitalização dos processos municipais.
Além da carga burocrática, há um aumento na pressão externa. Gestores relatam episódios de intimidação, ameaças e violência em decorrência de decisões tomadas no exercício da função pública, o que tem reduzido o interesse pelo cargo.
Essa falta de atratividade refletiu nas últimas eleições locais de 2024 na Renânia-Palatinado, quando mais de 500 municípios não registraram candidatos para o posto de prefeito.
O papel na democracia local
O sistema é visto como um pilar de participação comunitária. Moritz Petry, diretor da Associação de Municípios e Cidades da Renânia-Palatinado, afirma que os prefeitos voluntários são fundamentais para a aceitação dos processos democráticos, já que a proximidade com os moradores evita o anonimato das decisões.
A motivação para assumir o cargo costuma ser o desejo de mudança na comunidade local. Em algumas localidades, a permanência no poder é longa; no vilarejo de Windhagen, por exemplo, o prefeito Josef Rüddel ocupou a função por 56 anos, deixando o cargo em 2019.
