Alemanha busca depósito subterrâneo para lixo nuclear e planeja solução até 2050
Busca por local seguro para resíduos radioativos custa R$ 1,4 bilhão por ano e depende de critérios geológicos rigorosos.
Por Redação Diário Local
A Alemanha busca encontrar um local definitivo e subterrâneo para o armazenamento de seus resíduos altamente radioativos. O processo de identificação de um depósito geológico seguro tem previsão de conclusão até 2050, segundo informações da Sociedade Federal para Depósitos Finais (BGE).
Atualmente, o lixo nuclear produzido pelas usinas alemãs permanece armazenado nas áreas de 19 antigas usinas nucleares, que estão em processo de desmontagem, além de algumas instalações de pesquisa. A decisão do governo é que os rejeitos permaneçam no território alemão e não sejam enviados para o exterior.
Por que a busca é complexa?
A identificação de um local adequado exige o cumprimento de critérios geológicos rigorosos para garantir a segurança por períodos extremamente longos. Enquanto a Finlândia projeta segurança para 100 mil anos, a Alemanha, a Suíça e a França trabalham com um horizonte de 1 milhão de anos.
O objetivo é encontrar uma formação rochosa estável a cerca de 400 metros de profundidade, que funcione como uma barreira natural. Entre as formações consideradas adequadas para o depósito estão camadas de argila, granito ou sal-gema. O processo de avaliação envolve diálogos entre a BGE, geólogos, especialistas em energia nuclear, físicos, políticos e cidadãos.
A busca já restringiu as opções de locais: apenas 5% da área territorial da Alemanha ainda são considerados potenciais locais para o depósito, distribuídos por 11 dos 16 estados federados do país.
Custos e o modelo finlandês
A gestão dos resíduos nucleares representa um alto custo para o Estado alemão. O armazenamento provisório nos antigos locais das usinas, somado à busca pelo local definitivo, custa cerca de 1,4 bilhão de euros por ano. Especialistas estimam que a construção e operação do depósito final alcançará o valor de 14 bilhões de euros.
A Finlândia é apontada como a principal referência no tema, após aprovar o primeiro depósito geológico definitivo do mundo na ilha de Olkiluoto. O projeto finlandês levou cerca de 40 anos para ser concluído e utiliza um depósito a 400 metros de profundidade.
Na Alemanha, o ministro do Meio Ambiente, Carsten Schneider, manifestou o interesse em verificar a possibilidade de encurtar o prazo de conclusão previsto para 2050. O país encerrou o uso comercial de energia nuclear em 2023, após decidir pelo abandono gradual da tecnologia em 2011.
