Governo do Talebã impõe restrições severas e dificulta divórcio de mulheres no Afeganistão
Regime mantém proibição de mulheres em universidades e introduz barreiras para separação judicial no país.
Por Redação Diário Local
O governo do Talebã mantém o controle rigoroso sobre a vida das mulheres no Afeganistão, impondo restrições que vão desde o acesso à educação até a dificuldade de obter o divórcio. O regime aplica uma interpretação rígida da Sharia, a lei religiosa islâmica, que limita severamente a autonomia feminina e impacta o cotidiano de todo o país.
No sistema de justiça atual, uma mulher que busca a separação pode ser obrigada a devolver parte ou a totalidade dos recursos financeiros recebidos no casamento. Em casos de disputa, o marido pode exigir valores que as famílias das mulheres não conseguem arcar, dificultando a conclusão do processo sem o consentimento masculino.
Um exemplo do cotidiano sob o regime ocorreu na província de Jawzjan, onde uma jovem de 18 anos tentou solicitar o divórcio ao governador Abdullah Sarhadi, alegando agressões constantes do marido. Durante o encontro, o governador chegou a afirmar que as mulheres possuem "intelecto deficiente", provocando risos entre autoridades e seguranças presentes.
Como é a vida das mulheres no país?
As restrições impostas pelo grupo abrangem múltiplos aspectos da rotina feminina. Mulheres e meninas estão proibidas de frequentar universidades e o ensino médio, além de enfrentarem barreiras para ocupar a maioria dos postos de trabalho. A liberdade de movimento também é afetada, com impedimentos para viajarem sozinhas ou visitarem parques e centros de lazer.
A exclusão feminina é uma marca do período de cinco anos de governo do grupo, que retomou o poder em 2021. Relatos indicam que o ambiente de controle é reforçado por órgãos de inteligência, como a Estikhbaraat, que monitoram manifestações e questionam cidadãos e jornalistas.
Quem exerce o poder no governo?
O atual governo é composto por homens que tiveram passagens por cargos de comando militar ou operações de insurgência. Entre as autoridades, destaca-se Abdullah Sarhadi, governador da província de Jawzjan, que atuou como comandante militar durante a primeira gestão do Talebã na década de 1990 e esteve detido sob custódia dos Estados Unidos em Guantánamo.
Outra figura de destaque é Habibullah Badr, que ocupou o cargo de vice-chefe do sistema prisional do país. Badr afirmou ter sido responsável por operações de atentados suicidas em Cabul no passado, embora evite detalhar a violência praticada contra civis durante esses eventos ou responder sobre alvos específicos.
A gestão atual busca apresentar uma imagem de normalidade, mas mantém práticas de controle social e religioso que remetem ao período de poder do grupo há 25 anos. O cenário é de tensão entre os governantes, que buscam implementar a visão do grupo, e uma população que enfrenta o cerceamento de direitos básicos e de liberdade de expressão.
