Diário Local
Cedae

Auditoria do governo do Rio investiga contratos milionários da Cedae e atuação de diretor técnico

Apuração do governo do Rio de Janeiro analisa obras, fluxos financeiros e decisões da estatal após queda de 78,5% no lucro líquido em 2025.

Por Diário Local

O governo do Rio de Janeiro abriu uma auditoria nesta semana para realizar um pente-fino em contratos, obras, fluxos financeiros e decisões da Cedae. A apuração reúne diferentes órgãos da administração estadual e foca na análise de procedimentos e nos fluxos de decisão da companhia.

A investigação ocorre em um cenário de forte queda nos resultados financeiros da estatal. Em 2025, o lucro líquido da Cedae registrou uma redução de 78,5%, despencando de R$ 1,02 bilhão para R$ 219 milhões no mesmo período.

Além do lucro, o resultado operacional da empresa também apresentou mudança negativa. O montante, que era de R$ 627 milhões positivos, passou para R$ 424 milhões negativos durante o intervalo analisado.

Contratos e capacidade técnica sob investigação

O foco da auditoria recai sobre a diretoria técnica e de projetos da estatal, responsável por áreas estratégicas como obras e contratos milionários. Um dos pontos de atenção envolve a Essencio Ambiental, empresa que presta serviços de monitoramento nas bacias dos rios Guandu e Guapiaçu-Macacu.

Os contratos firmados com a prestadora somam R$ 267,7 milhões e são alvo de questionamentos no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). A discussão no órgão de controle gira em torno da comprovação da capacidade técnica exigida no edital para a prestação desses serviços.

Outro caso monitorado é o da empresa Construverde. Entre 2021 e 2025, a Cedae assinou quatro contratos com a prestadora que ultrapassam a marca de R$ 355 milhões.

Multas administrativas e perdas em investimentos

A auditoria aponta que novos acordos com a Construverde foram firmados mesmo após a companhia acumular multas administrativas aplicadas contra a empresa, com valores próximos a R$ 400 mil. O histórico de contratos e a manutenção das parcerias após penalidades são partes do escopo do pente-fino.

A gestão de investimentos financeiros também está na mira dos órgãos de controle. A apuração verifica a aprovação de cerca de R$ 200 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master.

O investimento resultou em prejuízo após a liquidação extrajudicial da instituição financeira pelo Banco Central. Diante da situação, a estatal precisou realizar uma provisão integral para cobrir a perda total do montante aplicado.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.