Missa Tridentina é declarada Patrimônio Cultural Imaterial de Natividade
Cerimônia na Paróquia de Nossa Senhora das Graças oficializou a lei que reconhece o Rito Romano Antigo como patrimônio do município
Por Redação Diário Local
A Missa no Rito Romano Antigo, popularmente conhecida como Missa Tridentina, foi oficialmente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município de Natividade, no Noroeste Fluminense. A oficialização ocorreu durante cerimônia realizada na Paróquia de Nossa Senhora das Graças, que incluiu a instalação de uma placa comemorativa.
O ato de descerramento da placa aconteceu na última sábado (19), após a missa, e contou com a presença do vereador Bernardo de Pinho (PL) e do padre Marco Antônio Assunção, administrador paroquial. A medida oficializa a promulgação da Lei Municipal nº 1.447/2026, que garante o status de patrimônio à celebração.
A legislação é de autoria do vereador Bernardo de Pinho, integrante da comunidade paroquial, e foi sancionada pelo prefeito Taninho Toledo em abril deste ano. O reconhecimento busca preservar as tradições locais e incentivar a continuidade dessa prática religiosa na região.
De acordo com o texto da lei reproduzido na placa, a Missa Tridentina passou a ser patrimônio imaterial devido à sua relevância histórica, cultural, religiosa e social. O objetivo é também promover o respeito à diversidade cultural e fortalecer o turismo religioso e cultural em Natividade.
O que caracteriza o rito tridentino?
Diferente do senso comum, a Missa Tridentina não se define apenas pelo uso do latim. O idioma é uma característica, mas o que distingue o rito é um conjunto próprio de orações, gestos, rubricas e uma estrutura litúrgica específica, preservada no Missal Romano de 1962.
O modelo de celebração é anterior à reforma promovida após o Concílio Vaticano II. Por essa razão, liturgistas explicam que uma missa pode ser celebrada integralmente em latim, seguindo o rito atual de São Paulo VI, sem ser classificada como tridentina.
Outra característica marcante é a posição do sacerdote durante a celebração. No rito antigo, o celebrante atua voltado para o altar-mor, em uma configuração que os especialistas chamam de ad orientem (voltado para o Oriente).
A posição tem sentido teológico, simbolizando a condução espiritual da assembleia em direção a Deus. Embora seja comum a expressão de que a missa é celebrada "de costas para o povo", a prática visa a orientação da oração e não o afastamento da comunidade.
