Celina Leão determina auditoria nas folhas de pagamento do Distrito Federal
Medida visa apurar possíveis irregularidades em descontos de salários e benefícios de servidores e pensionistas do GDF.
Por Redação Diário Local
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), determinou a instauração de um procedimento de auditoria nas folhas de pagamento do Governo do Distrito Federal (GDF). A medida, publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) nesta terça-feira (11), tem caráter preventivo e visa revisar a conformidade e o saneamento dos gastos com pessoal e dos descontos consignados no Poder Executivo.
De acordo com o texto do DODF, o objetivo é realizar a conciliação e a revisão dos descontos feitos diretamente na folha de pagamento. A decisão ocorre após denúncias de possíveis irregularidades nos descontos de salários e benefícios de servidores, aposentados e pensionistas do governo local.
Em suas redes sociais, Celina Leão afirmou que busca garantir o ressarcimento de eventuais recursos retirados indevidamente dos funcionários. A governadora declarou que os salários, aposentadorias e pensões dos servidores do DF são "sagrados".
A determinação foi tomada dias após o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrar a Operação Juros Zero. A investigação apura um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal.
O caso ganhou contornos após inspeções do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) identificarem um crescimento atípico no volume de descontos de uma modalidade de antecipação de salário. O órgão apontou que o banco digital PicPay teria realizado descontos referentes a empréstimos consignados de forma irregular.
Por que o TCDF identificou irregularidades?
Segundo o relatório de inspeção da Corte de Contas, o PicPay seria o único habilitado para realizar descontos compulsórios — automáticos em conta — na folha de pagamento do DF desde 2024. A operação desses descontos é realizada pela BRB Serviços, subsidiária do Banco de Brasília (BRB).
O Tribunal de Contas identificou que os valores de consignados saltaram de R$ 11,7 milhões em 2024 para R$ 70 milhões entre janeiro e agosto de 2025. No total, o banco digital teria descontado R$ 81,7 milhões dos salários dos servidores entre os anos de 2024 e 2025.
A irregularidade estaria ligada à aplicação de uma taxa sobre o serviço de antecipação salarial, fruto de um contrato assinado com a Secretaria de Economia do DF em setembro de 2024. Em fevereiro deste ano, o TCDF determinou a suspensão de novos descontos diretamente em folha vinculados ao banco digital após as constatações.
