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Política

Boulos critica pressão do mercado por ajuste fiscal e propõe cortes em desonerações e privilégios

Ministro afirma que ajuste fiscal no próximo governo deve focar em desonerações de R$ 600 bilhões e emendas parlamentares

Por Redação Diário Local

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que a pressão por ajuste fiscal para o próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) configura uma "chantagem do mercado". O ministro defendeu que eventuais cortes de gastos devem ser direcionados a privilégios e distorções, em vez de recair sobre áreas como saúde, educação e políticas destinadas à população de menor renda.

Em entrevista realizada neste sábado (31), Boulos listou como temas centrais para a discussão a revisão de desonerações fiscais, o enfrentamento de supersalários no setor público e mudanças nas emendas parlamentares. Segundo o ministro, contrapor as demandas de mercado à vontade popular seria uma forma de anular a democracia.

Medidas de ajuste e desonerações

O ministro apontou que o ajuste fiscal deve priorizar a correção de benefícios que pressionam as contas públicas. Boulos citou que o país possui quase R$ 600 bilhões por ano em desonerações fiscais, valor que encontra respaldo em dados oficiais do Tribunal de Contas da União (TCU), que estima gastos tributários superiores a R$ 600 bilhões para 2026.

Outro ponto mencionado pelo ministro foram as emendas parlamentares, que somam R$ 61 bilhões no Orçamento de 2026. Desse total, R$ 37,8 bilhões correspondem às emendas impositivas, aquelas cujo pagamento é obrigatório por lei.

Cenário da dívida pública

A movimentação ocorre em um contexto de avanço do endividamento público. Dados do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, o que representa R$ 11,1 trilhões. O índice acumulou alta de 4,3 pontos percentuais do PIB ao longo deste ano.

O debate sobre a trajetória da dívida ganhou força após a reeleição de Lula, ocorrida no último domingo (25). Agências de classificação de risco e instituições financeiras têm cobrado clareza sobre as medidas econômicas do governo. A Fitch alertou para o aumento das incertezas fiscais, enquanto o UBS indicou que investidores buscam medidas concretas para melhorar a percepção sobre os ativos brasileiros.

Governabilidade e estratégia política

Ao tratar do cenário político, Boulos minimizou discussões sobre sucessão presidencial, defendendo que a prioridade da esquerda deve ser sustentar o quarto mandato de Lula. O ministro afirmou que a governabilidade não dependerá apenas do diálogo com o Congresso e o Judiciário, mas também da mobilização social através das ruas e das redes sociais.

Questionado sobre uma possível candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2028, o ministro declarou que seu foco atual é auxiliar o mandato de Lula. Ele também elogiou a estratégia de mobilização digital utilizada durante a campanha presidencial, destacando o papel do deputado federal André Janones (Rede-MG) e da organização do chamado "Exército do Lula".

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.