Caso Master completa 10 meses e gera crise de confiança no STF com embates entre ministros
Investigação sobre o Banco Master aponta suposto envolvimento de integrantes do Supremo e eleva tensão institucional no país.
Por Redação Diário Local
A investigação sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master completa dez meses nesta sexta-feira (18) sob um cenário de crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso, que apura uma suposta rede de crimes financeiros, provocou embates públicos entre ministros da Corte e ganhou relevância no debate político nacional.
A Polícia Federal (PF) investiga a atuação de Daniel Vorcaro, apontando a existência de uma estrutura que envolveria políticos de diversos espectros, autoridades dos Três Poderes e integrantes do Judiciário. As suspeitas incluem tráfico de influência, contratos irregulares e o uso de redes de intimidação.
O que é o Caso Master?
O Banco Master passou por liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado, um dia após a primeira prisão de Daniel Vorcaro. A medida ocorreu após o BC identificar indícios de uma fraude bilionária baseada na fabricação de carteiras de crédito falsas.
Segundo a PF, o esquema envolveu a tentativa de venda de montantes que variam entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro para o Banco de Brasília (BRB). O processo de compra pelo BRB havia sido rejeitado pelo BC em setembro do ano passado.
Além da fraude financeira, a PF apura a existência de uma suposta "milícia privada" que atuava em favor de Vorcaro, envolvida em casos de espionagem e ameaças. Em 8 de setembro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou o empresário por fraudes no mercado financeiro, aplicando multa de R$ 20 milhões.
Crise e divisões no STF
A situação gerou uma divisão interna no Supremo. O ministro Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça protagonizaram trocas de acusações, com Mendonça alegando perseguição política e Moraes acusando o colega de agir com viés eleitoral.
A crise também afetou a relatoria de processos. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria de um caso devido a um conflito de interesses envolvendo investigações financeiras sobre a venda de fatias de um empreendimento de luxo, o Resort Tayayá, para fundos ligados a Daniel Vorcaro. Atualmente, o presidente da Corte, Edson Fachin, assumiu a relatoria de alguns processos dos ministros envolvidos no embate para tentar compatibilizar a situação.
Entre as alas da Corte, ministros como Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin têm feito críticas à condução do caso por parte de Mendonça. Já o ministro Luiz Fux tem manifestado apoio ao colega e solicitado investigações contra Moraes.
Impacto nas eleições
Faltando menos de um mês para o primeiro turno das eleições gerais de 2026, o escândalo tornou-se tema central entre os presidenciáveis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o avanço das investigações e cobrou soluções para a crise institucional.
Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro utilizou o caso para intensificar ataques ao Judiciário, exigindo a abertura imediata de processos. O senador Ronaldo Caiado também defendeu que o Senado tem base para votar um eventual impeachment de ministros com base nos relatórios da PF.
