Daniella Marques é cogitada como vice de Flávio Bolsonaro em articulação política
Nome da ex-presidente da Caixa é ventilado para compor chapa, mas falta de apoio do PL em Roraima e Mato Grosso trava negociação
Por Davy Albuquerque
A economista Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal, é apontada por aliados como possível candidata ao posto de vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL). A articulação para a composição da chapa presidencial, no entanto, enfrenta obstáculos devido a impasses políticos entre o PL e o Republicanos em Roraima e no Mato Grosso.
Daniella, que assumiu a gestão da Caixa em 2022, atua atualmente como coordenadora do núcleo econômico da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Ela tem acompanhado as agendas do senador e participou, nesta quinta-feira (16/7), de uma transmissão ao vivo sobre o plano de governo voltado ao público feminino.
Durante o evento, o senador Flávio Bolsonaro reforçou o desejo de compor a chapa com uma mulher. Ele mencionou o nome de Daniella e também citou a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) como nomes que têm auxiliado na construção de programas para o eleitorado feminino.
A estratégia de buscar uma mulher para a vice-presidência é vista como uma tentativa de melhorar o desempenho do senador entre as eleitoras. O movimento ocorre em um momento de desgaste público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com quem o senador mantém relação de adversários políticos.
Por que a chapa enfrenta resistência?
O principal entrave nas negociações é a falta de alinhamento entre o PL e o Republicanos em disputas estaduais. Em Roraima, as duas siglas disputam o controle do governo após a cassação do mandato do ex-governador Antonio Denarium, do Republicanos.
Na eleição suplementar roraimense, o PL lançou Arthur Henrique, cujo registro de candidatura enfrenta questionamentos no Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR). Enquanto isso, o Soldado Sampaio, do Republicanos, também figura como pré-candidato ao posto de governador do estado.
No Mato Grosso, o conflito ocorre pela disputa ao governo do estado. O Republicanos conta com a pré-candidatura de Otaviano Pivetta, que assumiu o governo interinamente em março de 2026, quando Mauro Mendes (União Brasil) deixou o cargo para concorrer ao Senado.
O PL, entretanto, defende o lançamento de um candidato próprio para o Mato Grosso. A legenda argumenta que possui autonomia para a disputa, apesar de ter apoiado a chapa que incluiu Pivetta no ciclo eleitoral de 2022.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a elogiar Daniella Marques, mas aliados indicam que a viabilidade da nomeação depende da capacidade da economista de trazer votos para a chapa do senador.
Quando serão definidas as candidaturas?
O cronograma para a oficialização dos nomes está definido pelas convenções partidárias. A convenção do PL deve ocorrer no dia 25 de julho, na Arena Pacaembu, na zona oeste de São Paulo.
Já a convenção do Republicanos está agendada para o dia 1 de agosto, também na capital paulista. O período de encontros partidários para essas definições estende-se de 20 de julho a 5 de agosto.
Após o encerramento das convenções, os partidos terão até as 19h do dia 15 de agosto para realizar o registro oficial das candidaturas junto à Justiça Eleitoral.
