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Minas Gerais

Governo de Minas divulga localização de acervo do Palácio das Mangabeiras após cobranças de oposição

Em audiência na Assembleia Legislativa, Codemge rebateu acusações de sumiço de bens e detalhou onde estão itens como quadros, livros e pratarias.

Por Davy Albuquerque

O governo de Minas Gerais divulgou, nesta quinta-feira (16), a localização de diversos itens que faziam parte do acervo do Palácio das Mangabeiras. A informação foi apresentada durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte, após cobranças da oposição por mais transparência sobre o patrimônio.

A diretora-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), Luísa Barreto, declarou que há mais de 3.900 bens relacionados ao antigo palácio oficial. Segundo a Codemge, os objetos estão distribuídos entre diferentes instituições estaduais e não desapareceram, apesar de não estarem todos fisicamente no imóvel.

A lista detalhada inclui 90 obras de arte, itens e mobiliários localizados no Palácio da Liberdade, incluindo 19 quadros, e 2 quadros no Palácio Tiradentes. Além disso, o acervo conta com 1.200 livros na Biblioteca Pública, 31 poltronas e um projetor de cinema na Fundação Clóvis Salgado, além de mais de 2.400 peças de prataria, talheres e utensílios distribuídos entre os palácios Tiradentes e Liberdade.

O que diz o governo sobre os itens doados?

Sobre os 63 itens doados pela Codemge à Secretaria-Geral em 2020, o Executivo explicou que se trata de mobiliário decorativo, como abajures, poltronas e mesas. Esses objetos foram divididos entre o Gabinete Militar do Governador, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo e a Secretaria de Governo.

Alguns desses itens estão no Palácio da Liberdade, enquanto outros, como sofás, cadeiras e um televisor, permanecem guardados em um galpão da Codemge em Belo Horizonte. Itens que foram leiloados também foram mencionados na nota divulgada pelo governo.

Em relação aos 187 materiais sob guarda direta da Codemge, o governo afirmou que possuem valor cultural baixo ou médio, englobando equipamentos como câmeras de segurança, aparelhos de ar-condicionado e armários. Estes estariam no galpão da companhia ou ainda no Palácio das Mangabeiras.

Quais são as cobranças da oposição?

Deputados da oposição afirmaram que as informações apresentadas na ALMG não são suficientes para garantir que todos os bens que estavam no palácio antes de janeiro de 2019 foram preservados. O deputado Leleco Pimentel argumentou que a ausência de um inventário completo impede a comparação e a averiguação do que foi entregue ou não.

O impasse sobre a gestão do patrimônio histórico também motivou ações judiciais. A deputada Lohanna apresentou uma notícia de fato ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pedindo a apuração de possíveis irregularidades na gestão e preservação do acervo. Em outro momento, a deputada Bella Gonçalves acionou a Polícia Federal para investigar o caso.

Parlamentares também criticaram o atual modelo de uso comercial do Palácio das Mangabeiras. O deputado Professor Cleiton, presidente da Comissão de Cultura, afirmou que as mudanças realizadas no imóvel comprometem o seu valor histórico e que o local poderia ter sido utilizado para visitação preservando seu conteúdo original.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.