Polícia Federal aponta ligação entre Rodrigo Bacellar e grupo de bicheiro no Rio de Janeiro
Investigação da Operação Unha e Carne indica que ex-presidente da Alerj estaria sob influência de grupo ligado a Adilsinho.
Por Davy Albuquerque
A Polícia Federal apontou a existência de relações entre o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o grupo ligado ao bicheiro Adilsinho. A apuração faz parte da 5ª fase da Operação Unha e Carne.
De acordo com os investigadores, Bacellar estaria entre os agentes públicos sob influência do grupo comandado por Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Um dos elementos centrais da investigação é um veículo Mercedes-Benz GLE 400 blindado, localizado na residência de Bacellar, em Teresópolis, durante buscas realizadas em dezembro do ano passado.
Embora o automóvel estivesse na casa, o registro no Detran apontou que o carro pertence a uma empresa vinculada ao filho de Marcos Alexandre Barros Rodrigues. A Polícia Federal afirma que Marcos Alexandre possui ligação com seis empresas utilizadas pelo grupo de Adilsinho para o financiamento de agentes políticos.
Como funcionava a movimentação financeira?
Segundo a investigação, uma das empresas ligadas a Marcos Alexandre, a Gráfica Editora Completa, prestou serviços a 73 candidatos apenas nas eleições de 2022. A movimentação financeira dessa empresa foi de cerca de R$ 1,5 milhão, com recursos provenientes majoritariamente de fundos públicos eleitorais.
A Polícia Federal também investiga uma possível tentativa de obstrução de justiça. Segundo a PF, sete dias após o início da operação, o grupo teria realizado uma alteração societária para desvincular o veículo blindado dos operadores financeiros da organização. Com a mudança, o filho do empresário deixou o quadro societário da empresa.
O uso de aeronaves e contratos públicos
A apuração também foca no uso de aeronaves de luxo. A Polícia Federal identificou que a esposa de Bacellar utilizou um jato pertencente à empresa GPC Soluções em Saúde em uma viagem saindo do Rio de Janeiro com destino a Campos dos Goytacazes. A empresa não possui autorização para operar como serviço de táxi aéreo.
A investigação destaca que a GPC Soluções em Saúde mantém ou manteve contratos com o estado do Rio de Janeiro, por meio da Fundação Saúde, que ultrapassam R$ 60 milhões, todos firmados com dispensa de licitação. Para a PF, a cessão de aeronave para uso privado de familiares de um agente público representa um indício de recebimento de vantagem indevida e conflito de interesses.
Em resposta, a GPC Soluções em Saúde afirmou que seus contratos resultaram de licitações públicas e que não possui contratos ativos com o estado, após ser afastada pela Fundação Saúde em março deste ano. A defesa de Rodrigo Bacellar negou qualquer envolvimento com as apurações.
