Deputado defende projeto que permite aos pais dispensarem alunos de aulas de educação sexual
Projeto de lei proposto por Daniel de Castro prevê aviso prévio de 10 dias aos responsáveis sobre conteúdos sobre sexualidade nas escolas.
Por Redação Diário Local
O deputado distrital Daniel de Castro (PP) defendeu, nesta quarta-feira (04), um projeto de lei que obriga as instituições de ensino a comunicarem os pais sobre aulas de educação sexual. A proposta prevê que os responsáveis possam dispensar os alunos dessas atividades e exige que a escola ofereça uma atividade alternativa para os estudantes durante o período.
De acordo com o texto da proposta, as escolas devem avisar sobre a realização de aulas, palestras ou demais atividades relacionadas ao tema com 10 dias de antecedência. Além do aviso, o conteúdo programático deve ser informado previamente aos pais ou responsáveis, que terão o direito de decidir pela participação ou não da criança.
Caso o estudante seja dispensado da aula específica, a unidade de ensino deverá providenciar uma atividade extra para que o aluno permaneça no estabelecimento de ensino durante o horário da atividade temática.
Objetivos e justificativas do projeto
O parlamentar afirmou que o objetivo do projeto é evitar o que classificou como "doutrinação sexual" nas escolas. Segundo Daniel de Castro, o papel das instituições de ensino deve se concentrar em disciplinas como matemática, biologia e física, e não em conteúdos de natureza sexual.
O deputado também manifestou posicionamento contrário à abordagem de temas de identidade de gênero em sala de aula e criticou o uso de banheiros por pessoas trans. Ele afirmou que a proposta visa proteger as crianças de um cenário de "sexualização" promovido por setores da esquerda.
Ao ser questionado se a medida poderia dificultar a proteção de crianças contra abusos cometidos por responsáveis dentro de casa, o parlamentar disse ser favorável à punição de abusadores. Ele destacou que a polícia realiza um trabalho de combate a esse tipo de crime.
Segurança e embate com o STF
A questão da segurança doméstica foi reforçada por dados do Fórum de Segurança Pública, que indicam que 70% dos estupros de crianças de até 9 anos ocorrem no ambiente familiar. O deputado reiterou que a proposta foca no controle do conteúdo pedagógico e não na omissão de crimes.
Sobre o cenário jurídico, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou recentemente a inconstitucionalidade de leis semelhantes em estados como Maranhão e Espírito Santo. Questionado se o projeto poderia sofrer o mesmo destino, Daniel de Castro afirmou que está disposto a enfrentar o embate com a Corte.
O parlamentar classificou o atual entendimento do STF como "ideológico" e afirmou que a instituição se tornou uma extensão da Presidência da República. Ele criticou a atuação do tribunal em relação ao governo federal atual.
Cenário político e prioridades na CLDF
Daniel de Castro, que foi reeleito para um segundo mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) com mais de 21 mil votos, também comentou o cenário político da capital. Ele é o atual líder do Partido Progressista (PP) na Casa legislativa.
Em relação à governadora Celina Leão (PP), reeleita para o próximo mandato, o deputado elogiou sua capacidade de gestão e articulação. Ele descreveu o perfil da governadora como tendo diálogo e sensibilidade, demonstrando otimismo com a continuidade do governo.
O deputado também mencionou a importância da interlocução política na Câmara Legislativa. Ele elogiou a atuação de Wellington Luiz, atual presidente da CLDF, destacando sua habilidade de diálogo com diferentes espectros políticos.
Para o próximo mandato na CLDF, Daniel de Castro listou a área da saúde como uma de suas prioridades de atuação parlamentar. O parlamentar reforçou que a proposta de educação sexual é uma forma de garantir que o ensino de valores permaneça sob o controle dos responsáveis legais.
