Embaixador Rubens Barbosa afirma que Estados Unidos interferem em processo eleitoral brasileiro
Ex-diplomata aponta repasse de US$ 1 milhão de Donald Trump e suspensão de serviços em embaixadas como formas de influência.
Por Redação Diário Local
O embaixador Rubens Barbosa afirmou que os Estados Unidos adotaram medidas que interferem, de forma indireta, no processo eleitoral brasileiro. Segundo o diplomata, as ações norte-americanas configuram uma tentativa de influência no cenário político nacional.
Barbosa, que serviu no serviço diplomático brasileiro nos Estados Unidos e no Reino Unido, detalhou que o financiamento de US$ 1 milhão concedido pelo governo de Donald Trump para um programa de combate ao que os EUA classificam como "lawfare e censura" no Brasil é um exemplo de interferência.
O diplomata também citou a suspensão de serviços pela Embaixada dos Estados Unidos após um alerta de segurança. Segundo ele, a medida foi seguida por ações da Embaixada do Canadá e da Austrália, além de recomendações da Embaixada do Reino Unido sobre possíveis distúrbios no país, embora Barbosa afirme que tais eventos não tenham ocorrido.
De acordo com o embaixador, a reta final da campanha presidencial é marcada por um clima de tranquilidade, com a circulação livre dos candidatos. Ele comentou o cancelamento do último debate antes do primeiro turno, ocorrido na quinta-feira (1º), após decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) alterarem as regras do encontro.
Barbosa qualificou o cancelamento de um debate televisivo como uma interferência indevida da Justiça na liberdade de imprensa, mas pontuou que o episódio não prejudicou o andamento da campanha. O encontro havia sido cancelado após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizar que não participaria na quarta-feira (30) e o candidato Flávio Bolsonaro (PL) desistir na quinta-feira (1º).
O ex-diplomata rejeitou a possibilidade de uma ofensiva direta do governo norte-americano no Brasil, como a que ocorreu na Venezuela com Nicolás Maduro. Para ele, o que pode haver são ameaças de sanções ou de coerção, mas não acredita que o caso venezuelano se repita em território brasileiro.
No entanto, Barbosa expressou preocupação com o cenário para o segundo turno, caso o resultado das pesquisas se confirme muito apertado. Ele acredita que, se um dos candidatos perder e questionar a transparência da apuração, o fato pode suscitar uma interferência mais forte do governo americano.
A preocupação do embaixador, segundo seu relato, é especialmente relevante caso o questionamento de resultados ocorra em um cenário de disputa acirrada, citando a possibilidade de uma reação diplomática mais intensa se o caso envolva o grupo político de Flávio Bolsonaro.
