Empresas investigadas pelo MP faturaram R$ 321 milhões com a Prefeitura de Salvador
Grupo de empresas é suspeito de fraudar licitações e superfaturar contratos em Salvador entre 2015 e 2026, aponta Ministério Público.
Por Davy Albuquerque
Cinco empresas alvo de investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) firmaram, juntas, ao menos R$ 321 milhões em contratos com a Prefeitura de Salvador entre 2015 e julho de 2026. O período abrange as gestões de ACM Neto e Bruno Reis.
A operação deflagrada pelo órgão estatal aponta que as empresas G3 Polaris Serviços, MP2 Construções, LN Distribuidora e Comércio, Podium Distribuidora e WLSP Logística e Transportes integrariam um grupo suspeito de fraudar licitações, direcionar contratos públicos e superfaturar pagamentos.
Ao longo de 11 anos, as empresas prestaram serviços para diversas secretarias municipais e para o gabinete dos prefeitos. A G3 Polaris Serviços foi a que mais recebeu recursos da administração municipal, com um total de R$ 124,8 milhões. Segundo as apurações, após faturar menos de R$ 1 milhão no primeiro ano de contratos, os repasses da empresa cresceram para cerca de R$ 25 milhões anuais nos últimos anos.
Quais são os valores recebidos pelas empresas?
A Podium Distribuidora aparece em seguida, com R$ 85,5 milhões em pagamentos desde 2015. A empresa manteve contratos com as secretarias de Saúde e de Manutenção, além de prestar serviços ao Gabinete do Prefeito durante a gestão de ACM Neto, em 2018.
As demais empresas investigadas também acumularam valores expressivos: a LN Distribuidora e Comércio recebeu R$ 45,4 milhões; a WLSP Logística e Transportes, R$ 37,6 milhões; e a MP2 Construções, R$ 27,7 milhões. O Ministério Público sustenta que uma das sócias da MP2 Construções seria utilizada como suposta testa de ferro do grupo.
Mesmo com o avanço das investigações, a MP2 Construções firmou novos contratos com o município e já recebeu R$ 1,68 milhão em 2026.
O que diz a investigação do Ministério Público?
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e aponta um prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões aos cofres municipais de Salvador. Por determinação da Justiça, foram afastados o secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, e o vereador George Gordinho da Favela.
Os dois são investigados por suposta participação em um esquema de direcionamento de contratos públicos. As apurações indicam que as irregularidades ocorreram em contratos celebrados pela Secretaria Municipal de Manutenção (Seman), comandada por Luciano Sandes entre 2021 e 2023, e pela Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal).
De acordo com o MP-BA, o esquema seria composto por agentes públicos e empresários que atuavam de forma coordenada para assegurar pagamentos irregulares. Os investigadores sustentam que as cinco empresas compartilhavam estrutura operacional, recursos e interesses econômicos, funcionando como um único grupo para obter contratos.
