EUA revogam visto de embaixadora brasileira em Washington como retaliação
Decisão do Departamento de Estado dos EUA ocorre após atraso na aprovação de embaixador norte-americano no Brasil
Por Redação Diário Local
O Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, nesta terça-feira (4). A decisão ocorre como resposta ao atraso do governo brasileiro em aprovar o nome de Daniel Perez para a função de embaixador dos EUA no Brasil.
De acordo com as autoridades norte-americanas, a suspensão não configura uma declaração de persona non grata. No entanto, a embaixadora precisará solicitar um novo visto caso decida deixar os Estados Unidos e pretenda retornar ao país.
Com a nova medida, o número de autoridades brasileiras com vistos revogados pelo governo dos Estados Unidos chega a pelo menos 16 pessoas. O processo de suspensão de documentos de brasileiros vem ocorrendo de forma escalonada desde julho de 2025.
Histórico de sanções contra o Judiciário
O primeiro ciclo de punições ocorreu em 18 de julho de 2025, quando a administração do presidente Donald Trump ordenou a revogação imediata do visto do ministro Alexandre de Moraes e de outros sete integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na ocasião, o governo norte-americano justificou as sanções como uma retaliação ao que classificou como interferência em liberdades protegidas por leis dos Estados Unidos. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo responsabilizaria estrangeiros envolvidos em atos de censura.
Além de Alexandre de Moraes, foram incluídos na lista de suspensões os ministros Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.
Alvos no Executivo e o programa Mais Médicos
Em agosto de 2025, o foco das sanções mudou para o ministro Alexandre Padilha e seus familiares. A justificativa dos Estados Unidos concentrou-se no programa Mais Médicos, desenvolvido durante a primeira gestão de Padilha na pasta da Saúde, entre 2011 e 2014.
Para o governo norte-americano, o programa foi considerado um "golpe diplomático" envolvendo missões médicas estrangeiras. Na época, a medida atingiu a esposa e a filha de Padilha, que perderam o direito ao documento.
Em setembro de 2025, uma nova onda de cancelamentos atingiu autoridades ligadas à Advocacia-Geral da União (AGU) e ao Judiciário. Entre os nomes suspensos estava o ministro da AGU, Jorge Messias, além de funcionários do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, tanto no STF quanto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Novos nomes e aplicação da Lei Magnitsky
A lista de setembro incluiu ainda o ex-ministro do TSE, Benedito Gonçalves, o ex-AGU José Levi e juízes que atuam no gabinete de Moraes, como Airton Vieira, Marco Antonio Martin Vargas e Rafael Henrique Janela Tamai Rocha.
Os Estados Unidos também aplicaram sanções da Lei Magnitsky contra Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, e contra o instituto Lex, que possui ligação com a família do magistrado.
Até o momento, as medidas têm escalado entre membros do Executivo, do Judiciário e funcionários de órgãos públicos brasileiros, mantendo um cenário de tensão diplomática entre Brasília e Washington.
Como funciona a revogação de vistos
Os Estados Unidos adotam uma política de não informar necessariamente as pessoas sobre o cancelamento de seus vistos. O efeito prático da decisão costuma ocorrer apenas no momento da tentativa de viagem.
Ao realizar o check-in, seja de forma digital ou no aeroporto, o visto é checado pelas autoridades e companhias aéreas. Caso a suspensão conste no sistema, o embarque é impedido pelo transportador.
Dessa forma, a pessoa só toma conhecimento da medida quando pretende utilizar o documento para ingressar em território norte-americano, sendo obrigada a regularizar a situação para novos pedidos.
