Fernando Haddad afirma que Cracolândia não acabou e cita o Brás como exemplo
Candidato ao governo de São Paulo rebate versão da gestão estadual e municipal ao dizer que usuários de drogas se dispersaram por outros bairros.
Por Redação Diário Local
O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta segunda-feira (24) que o fluxo de dependentes de drogas não acabou, mas se dispersou por diferentes pontos da capital paulista. Segundo o petista, o fenômeno da Cracolândia apenas mudou de localidade, mantendo o consumo ativo na cidade.
As declarações foram feitas durante uma sabatina realizada nesta segunda-feira (24). Haddad rebateu a versão defendida pelas gestões do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que apontam para o fim das grandes concentrações de usuários na região central.
Para o candidato, o consumo de crack segue visível em diversas áreas da metrópole. Ele citou especificamente as regiões de Itaquera, Marginal Tietê e Marginal Pinheiros como locais onde a presença de usuários persiste.
Haddad utilizou o bairro do Brás como exemplo para argumentar sobre a continuidade do problema. O petista sugeriu que uma caminhada pelo bairro após as 20h permitiria constatar que as concentrações de dependentes ainda ocorrem.
O candidato defendeu que a mudança de endereço dos usuários não significa a solução do impasse. "O fato das pessoas mudarem de lugar para consumir crack não significa que não há consumo de crack na cidade de São Paulo", declarou Haddad durante o evento.
O cenário atual é de operações conjuntas entre o Estado e o município, que resultaram na queda da concentração de usuários no local tradicional da Cracolândia. No entanto, o petista argumenta que o que ocorreu foi apenas uma dispersão geográfica do consumo.
Sobre o enfrentamento do problema, Haddad defendeu uma divisão clara de responsabilidades entre os entes públicos. Para ele, cabe ao governo do Estado atuar diretamente no combate ao tráfico de drogas.
Já para o candidato, a responsabilidade de oferecer tratamento aos dependentes deve recair sobre as prefeituras. Ele ressaltou que a falta de uma abordagem sanitária eficaz impede qualquer avanço real contra a dependência química.
O petista classificou a tentativa de ignorar o problema como insuficiente. "Você não vai conseguir tapar o sol com a peneira e dizer que não tem gente na rua consumindo crack aos milhares na cidade de São Paulo", afirmou.
<O que propõe o candidato para o problema?
Como parte de sua proposta, Haddad defendeu a retomada do programa De Braços Abertos. A iniciativa foi criada durante sua gestão como prefeito de São Paulo, no período entre 2013 e 2016.
O programa em questão é baseado na política de redução de danos. O objetivo é oferecer suporte estruturado para que o usuário consiga reintegrar-se à sociedade de forma gradual.
Entre as ações previstas no modelo defendido, estão o oferecimento de moradia em hotéis e alimentação para os dependentes. A proposta também inclui o atendimento de saúde direcionado à população em situação de vulnerabilidade.
Além do suporte assistencial, o programa prevê a criação de oportunidades de trabalho remunerado. A ideia é que o suporte oferecido ajude a combater as causas da permanência das pessoas nas ruas.
A estratégia de Haddad busca focar tanto no aspecto social quanto no cuidado de saúde pública. O candidato reforça que a solução passa pelo equilíbrio entre a segurança pública e a assistência sanitária.
