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Candidatos de direita usam funk para engajar jovens em campanha, mas enfrentam críticas e rejeição do gênero

Candidatos conservadores utilizaram jingles de funk para atrair o público jovem, enfrentando críticas por contradição com discursos anteriores.

Por Redação Diário Local

Candidatos de direita adotaram o funk como elemento central de suas campanhas para tentar atrair o público jovem e aumentar a viralização nas redes sociais durante o pleito de 2026. A estratégia consistiu no uso de jingles e na adaptação de letras de músicas populares para mensagens de apoio político.

No domingo (25), dia do segundo turno, o Spotify registrou que seis das 50 músicas mais ouvidas no país eram canções de apoio ao candidato do PL à presidência ou que continham críticas ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As músicas foram utilizadas como tema em atos de campanha e durante a apuração dos votos.

Como o gênero foi utilizado nas campanhas?

O funk embalou manifestações em diversas cidades. Em Vitória (ES), por exemplo, o candidato Flávio Bolsonaro dançou em um trio elétrico acompanhado por aliados, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Uma das versões de maior destaque adaptava refrões para incentivar a participação do público em atos de rua.

Apesar do uso por parte dos políticos, a aproximação não contou com o apoio de grande parte dos nomes principais do gênero. Em 2026, muitos artistas optaram por apoiar o candidato Lula ou manter a neutralidade, gerando uma divisão clara no setor musical.

O movimento também esbarrou em contradições de discurso. Políticos de direita frequentemente associaram o funk à chamada "narcocultura" — termo usado para descrever valores e estéticas ligados ao tráfico de drogas. Em São Paulo, Lucas Pavanato, que celebrou a eleição à Câmara dos Deputados ao som de funk, foi relator da CPI dos Pancadões, que investigava a perturbação do sossego e o funcionamento de bailes clandestinos.

A polarização entre os artistas

Historicamente, o funk de São Paulo manteve um perfil apolítico, mas a polarização política nas últimas eleições começou a dividir o setor. Em 2022, empresários e MCs, como Kondzilla, realizaram reuniões com o presidente Lula para declarar apoio.

Em 2026, o cenário apresentou novos atores. Enquanto nomes como MC Ryan SP e o empresário Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como Rato, apoiaram o candidato Pablo Marçal, outros artistas como Hariel, Tuto, PH e IG manifestaram apoio ao petista.

Para os parlamentares que utilizaram o ritmo, a defesa reside na liberdade criativa. Lucas Pavanato afirmou que, em sua visão, o problema reside nas letras das composições, e não no ritmo musical propriamente dito.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.