Anthony Garotinho denuncia esquema de desvio de incentivos fiscais no Rio de Janeiro
Ex-governador afirmou em depoimento que recursos de incentivos fiscais eram devolvidos via escritórios de consultoria
Por Redação Diário Local
O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) denunciou a existência de um suposto esquema de corrupção e desvio de verbas públicas por meio da concessão de incentivos fiscais no Rio de Janeiro. A acusação foi feita durante depoimento prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado em dezembro de 2025.
Segundo o relato de Garotinho aos senadores, a engrenagem para o desvio de recursos envolveria órgãos como a Secretaria de Fazenda, a AgeRio e a Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin). O esquema funcionaria utilizando a estrutura de concessão de benefícios fiscais do Estado.
De acordo com o depoimento, uma parte dos valores dos incentivos seria desviada por meio da contratação de escritórios de consultoria tributária. Esses escritórios seriam encarregados de emitir notas fiscais para simular a prestação de serviços, facilitando o retorno do dinheiro desviado.
“A Codin é a empresa que concede incentivos fiscais. Para o dinheiro do incentivo fiscal voltar uma parte, como é que eles fazem? Contrataram um escritório de consultoria tributária, que tira a nota e devolve o dinheiro, tudo na cara de todo mundo”, afirmou o ex-governador durante a oitiva.
Como funcionava o suposto esquema?
O modelo descrito por Garotinho aponta que a Codin teria sido o ponto central para a movimentação dos incentivos. Os escritórios de consultoria atuariam como intermediários para o retorno dos recursos públicos através de faturamentos simulados.
Na época em que o depoimento foi prestado, a presidência da Codin era exercida pelo advogado Fabio Picanço de Seixas Loureiro. Os dados atuais do setor empresarial mostram que Loureiro integra o quadro de sócios e administradores da empresa Cromus Segurança e Vigilância Patrimonial LTDA.
A empresa de segurança, fundada em novembro de 2019, tem sede no município de Paracambi, na Baixada Fluminense. Entre os sócios de Loureiro na Cromus consta a major da Polícia Militar (PM) Elaine Cristina Gonçalves Nogarol de Andrade.
A major é filiada ao partido Democrata e compõe a chapa de vice na candidatura de Garotinho ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. O depoimento segue sob análise dos membros da CPI do Crime Organizado do Senado.
