Integrantes de grupo investigado pela PF lamentaram saída de Toffoli da relatoria de caso no STF
Mensagens de WhatsApp reveladas pela Polícia Federal mostram que investigados viram a troca de relatoria como um fator de piora no cenário.
Por Redação Diário Local
Integrantes de um grupo investigado pela Polícia Federal (PF) lamentaram a saída do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria do caso Master. De acordo com a investigação, uma conversa por WhatsApp entre dois suspeitos indicou que a mudança de relator no processo impactou negativamente o grupo.
A Polícia Federal detalhou em suas apurações sobre o grupo conhecido como 'A Turma' que os membros realizavam comunicações sobre a troca de comando no processo. Em uma das mensagens analisadas, um dos envolvidos afirmou que a situação 'está piorando muito rápido agora que saiu o Toffoli'.
As investigações apontam que o grupo era supostamente pago por Daniel Vorcaro para obter informações sigilosas e realizar intimidações. A PF identificou diálogos entre Bruno Correa Lopes, apontado como responsável por intermediar negócios e comprar imóveis para a família Vorcaro, e Manoel Mendes Rodrigues, também investigado na operação Compliance Zero.
Segundo a PF, as mensagens também revelaram preocupações com o patrimônio dos envolvidos. Em um dos trechos, Bruno Correa Lopes mencionou a venda de imóveis a preços reduzidos, alegando que os investigados estariam tentando movimentar dinheiro antes que os bens fossem tomados pelas autoridades.
O ministro Dias Toffoli atuou como relator do caso Master no STF até o dia 12 de fevereiro (quarta-feira), período marcado por embates com a Polícia Federal. Após sua saída, o ministro André Mendonça assumiu a relatoria do processo por meio de sorteio.
A relatoria de Toffoli chegou a ser alvo de questionamentos devido à sua relação com o resort Tayayá, que teve como acionistas familiares do magistrado. O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é proprietário de um dos fundos de investimento que comprou parte da participação de parentes do ministro no empreendimento.
Em nota oficial, o gabinete de Dias Toffoli declarou que o ministro jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel. O magistrado explicou que integrou o quadro societário da empresa Maridt, que possuía participação no Grupo Tayayá, posteriormente adquirido por fundos ligados a Zettel.
A nota do gabinete também esclarece que o ministro desconhece o gestor do Fundo Arleen. O texto reforça que Toffoli não possui qualquer relação de amizade, muito menos amizade íntima, com o investigado Daniel Vorcaro.
