STF autoriza investigação sobre repasse de R$ 61 milhões para filme de Jair Bolsonaro
Polícia Federal vai apurar repasses de R$ 61 milhões feitos por Daniel Vorcaro para produção de longa sobre ex-presidente.
Por Redação Diário Local
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a iniciar uma nova investigação sobre o repasse de aproximadamente R$ 61 milhões para a produção do filme Dark Horse. O longa-metragem retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro e teve o financiamento realizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
A decisão judicial ocorreu nesta quinta-feira (23) após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O novo inquérito busca apurar possíveis irregularidades no fluxo de recursos destinados à obra e a conexão entre o financiamento e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), autor do pedido que deu origem à investigação, afirmou que o senador havia prometido, no dia 19 de maio, detalhar a prestação de contas do investimento de Vorcaro em um prazo de um mês. No entanto, o parlamentar pontuou que, até o momento, o repasse não foi explicado pela equipe do senador.
Farias criticou a falta de transparência sobre os valores e afirmou que a investigação pode resultar em medidas como quebra de sigilo e pedidos de prisão preventiva. A mobilização de parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) busca associar o senador ao escândalo envolvendo o Banco Master.
O que diz a defesa de Flávio Bolsonaro?
Em resposta às movimentações, o coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN), minimizou o impacto da investigação. Marinho afirmou que o processo não deve encontrar irregularidades e que ficará demonstrado que não houve qualquer ato ilícito.
A investigação sobre o filme ocorre em um momento de desgaste para a pré-campanha do senador, que também enfrenta questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O partido de oposição acionou a Corte após o senador realizar afirmações sobre as urnas eletrônicas em um evento com embaixadores.
Sobre o tema das urnas, Flávio Bolsonaro associou os equipamentos brasileiros à empresa venezuelana Smartmatic, citando um relatório da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos. O TSE já desmentiu a informação utilizada pelo senador e o PT pediu a condenação do parlamentar por propagação de notícias falsas.
O senador também enfrenta outro questionamento relacionado a notas fiscais. Recentemente, foi revelado que o escritório de advocacia de Flávio emitiu e cancelou duas notas no valor total de R$ 1 milhão em favor de uma empresa ligada ao Banco Master, fato que o senador nega ter sido irregular.
