Justiça questiona se aquisição da Naskar pela Azara Capital ocorreu de fato
Decisão judicial sobre prisão de empresários aponta que reorganização societária pode ter servido para ocultar suposta fraude.
Por Redação Diário Local
A Justiça do Distrito Federal questionou a veracidade da versão apresentada pela Naskar Gestão de Ativos para explicar a paralisação de suas atividades. Em decisão que converteu as prisões de três empresários em preventivas, o juiz Aimar Neres de Matos afirmou que as investigações colocam em dúvida se a anunciada aquisição da empresa pela Azara Capital foi de fato concretizada.
Os empresários Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato são investigados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por suspeitas de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a apuração policial, o esquema teria causado um prejuízo estimado em R$ 1 bilhão a cerca de 3 mil investidores.
De acordo com a decisão judicial, a Naskar interrompeu o fluxo de resgates e pagamentos aos investidores e, em seguida, divulgou comunicados institucionais. Na época, a empresa atribuiu a crise a processos de reorganização societária e à suposta compra do grupo econômico pela Azara Capital.
Contudo, o magistrado destacou que os elementos reunidos pela Polícia Civil questionam a consistência dessa narrativa. As diligências realizadas até o momento indicam que não há provas de que a aquisição mencionada pela empresa tenha ocorrido de maneira efetiva.
A decisão aponta que, em tese, a reorganização societária pode ter sido utilizada como um mecanismo para manter a aparência de regularidade do negócio. O objetivo seria postergar a descoberta de uma possível fraude, argumento que fundamentou a manutenção da prisão preventiva dos envolvidos.
O juiz ressaltou ainda que a estrutura operacional utilizada pelo grupo econômico permanece, em tese, ativa. Por isso, há necessidade de continuidade das investigações para rastrear o patrimônio dos envolvidos e analisar equipamentos eletrônicos apreendidos.
As autoridades também trabalham para aprofundar a apuração sobre o destino final dos recursos que foram captados junto aos investidores da companhia. O trabalho de rastreio busca identificar para onde foram direcionados os valores da gestão.
Apesar da gravidade das suspeitas, o magistrado reforçou que a decisão de converter as prisões em preventivas possui caráter cautelar. O texto judicial esclarece que a medida não representa uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos investigados, cujo mérito será analisado durante o processo penal.
