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Supremo Tribunal Federal

Jornalista Luís Pablo pede ao STF arquivamento de investigação sobre monitoramento de Flávio Dino

Em carta ao ministro Edson Fachin, jornalista afirma que não há provas de crime após apreensão de equipamentos e quebra de sigilo de fonte

Por Redação Diário Local

O jornalista Luís Pablo enviou uma carta aberta ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, nesta quinta-feira (10), solicitando o arquivamento da investigação que o atinge. No documento, o profissional afirma que, apesar da apreensão de equipamentos e da quebra do sigilo de sua fonte, nenhuma prova de crime foi encontrada contra ele.

A investigação teve início após o jornalista publicar reportagens sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares do ministro Flávio Dino. O caso levou o STF a formalizar, posteriormente, a cessão do automóvel ao tribunal maranhense.

O processo ganhou novos desdobramentos após a Secretaria de Segurança do STF levantar suspeitas de monitoramento dos deslocamentos do ministro Dino. Em 10 de março (10), o ministro Alexandre de Moraes autorizou uma operação da Polícia Federal (PF) contra Luís Pablo, determinando a análise de materiais eletrônicos para apurar a possível divulgação de dados de proteção do ministro.

Suspeitas de monitoramento e conduta da PF

Na carta enviada a Fachin, o jornalista rebateu a suspeita de que teria monitorado a segurança do ministro. Luís Pablo argumentou que o Estado pode investigar diante de indícios concretos, mas não pode transformar linhas editoriais ou reportagens em prova de conduta criminosa.

Sobre uma transferência de R$ 100 mil investigada, o jornalista explicou que o valor corresponde a um empréstimo pessoal já quitado, apresentando comprovantes da devolução. O próprio relatório da Polícia Federal registrou que não foi possível afirmar com máxima certeza que o montante seria um pagamento por reportagens, e concluiu que a conduta do jornalista não se enquadra como violação de sigilo funcional.

A investigação também envolveu Raimundo Cutrim, ex-secretário de Estado do Maranhão, apontado pela PF como o responsável pelo repasse das informações utilizadas nas matérias publicadas. Luís Pablo relatou ter ficado cerca de 70 dias sem acesso a celulares, computadores e HDs durante o período de apuração.

Impacto na atividade profissional

O jornalista destacou que a identidade de sua fonte foi exposta publicamente, o que, segundo ele, compromete a confiança de futuros colaboradores em seu trabalho. Ele afirmou que o dano à sua credibilidade, construída em 15 anos de profissão, não pode ser mensurado apenas pelo material apreendido.

A operação contra o jornalista ocorreu após ele prestar depoimento em 13 de março (13), ocasião em que optou por permanecer em silêncio. Em abril do mesmo ano, o ministro Alexandre de Moraes determinou a devolução dos equipamentos apreendidos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.