Lula e Flávio Bolsonaro apresentam planos econômicos divergentes para o 2º turno
Candidatos disputam o segundo turno neste domingo (25) com visões opostas sobre impostos, papel do Estado e controle de gastos.
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno da eleição presidencial neste domingo (25) com propostas divergentes para a economia. Enquanto o atual presidente defende a atuação do Estado para estimular o crescimento e reduzir desigualdades, o senador propõe enxugar a máquina pública e ampliar o espaço para a iniciativa privada.
As diferenças entre os candidatos abrangem temas como carga tributária, gestão das contas públicas, mercado de trabalho, programas sociais, infraestrutura e exploração de recursos naturais. Ambos os programas de governo apresentam visões distintas sobre como equilibrar as contas e promover o desenvolvimento do país.
O que propõem sobre impostos?
Lula defende a continuidade da reforma tributária sobre o consumo e a aplicação de uma "justiça tributária". O plano prevê a tributação de super-ricos para reduzir a carga sobre as classes mais baixas, incluindo a manutenção do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) com isenção para a cesta básica e sistema de cashback para a população de baixa renda.
O governo atual também destaca a isenção de Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil e a tributação de dividendos acima de R$ 50 mil mensais. Além disso, a gestão atual estabeleceu novas cobranças para setores como fintechs e apostas (bets).
Flávio Bolsonaro critica o modelo atual da reforma tributária, apontando que a alíquota estimada do IVA, próxima de 30%, é elevada. O senador propõe revisar o modelo para reduzir impostos sobre combustíveis, energia elétrica e alimentos, além de desonerar exportações e investimentos. Até o momento, o plano de Flávio não detalha como será feita a compensação financeira para esses cortes tributários.
Como pretendem gerir as contas públicas?
A estratégia de Lula para as contas públicas baseia-se no uso do arcabouço fiscal e no aumento da arrecadação. O objetivo é fomentar o crescimento econômico para equilibrar as contas sem a necessidade de cortes em programas sociais. O plano busca utilizar o aumento da carga sobre os mais ricos para ampliar a receita estatal.
Flávio Bolsonaro promete fazer os gastos "caberem no Orçamento", buscando produzir superávits primários. O senador propõe limitar despesas discricionárias dos Três Poderes, reduzir cargos comissionados, combater benefícios excessivos e promover o "tesouraço" na máquina pública, o que inclui a extinção de ao menos 10 ministérios e a retomada de privatizações.
A equipe de Flávio trabalha com uma meta de corte entre R$ 200 bilhões e R$ 250 bilhões, embora não tenha especificado de onde virão as economias. Ao mesmo tempo, o plano do senador prevê o aumento de gastos em outras áreas, como o dobro de investimentos em segurança pública e a criação de 500 mil vagas no sistema prisional em quatro anos.
Estado e iniciativa privada
No campo do desenvolvimento, Lula vê o Estado como indutor, apostando no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e no fortalecimento da indústria nacional. O programa prevê manter estatais como instrumentos de investimento e expandir projetos de infraestrutura, como o Minha Casa, Minha Vida.
Flávio propõe um Estado reduzido, estimando R$ 900 bilhões em projetos por meio de concessões e parcerias público-privadas. O senador também planeja retomar o Programa Nacional de Desestatização e realizar um "revogaço", revisando mais de 1.000 decretos do atual governo para reduzir entraves regulatórios e atrair investimentos estrangeiros.
