Lula e Flávio apresentam propostas distintas para o ecossistema de startups e inovação
Candidatos apresentam estratégias diferentes para tecnologia, juros e política fiscal visando o ecossistema de inovação
Por Redação Diário Local
Os candidatos à Presidência da República, Lula e Flávio Bolsonaro, apresentam propostas com estratégias distintas para o ecossistema de startups e inovação tecnológica. Enquanto um foca na atuação do Estado como indutor e financiador, o outro enfatiza a atração de capital privado e a desburocratização para o setor.
As propostas abrangem temas como política industrial, soberania digital, política fiscal e condições para a redução da taxa de juros. O debate ocorre em meio à retomada das campanhas nesta segunda-feira (05), visando conquistar o eleitorado interessado em empreendedorismo e tecnologia.
Como serão os incentivos à inovação?
O programa de Lula prevê uma política industrial ativa, com integração entre ciência, tecnologia, indústria e comércio exterior. A estratégia inclui a continuidade da Nova Indústria Brasil (NIB), com foco em áreas como inteligência artificial (IA) e minerais críticos, além do uso de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
A proposta petista também conta com instrumentos de financiamento direcionado e compras públicas para estimular o desenvolvimento. Já a abordagem de Flávio é voltada à iniciativa privada, prevendo investimentos em pesquisa, parques tecnológicos, incubadoras e apoio direto a startups de base tecnológica.
Flávio também propõe a criação de uma legislação voltada à "liberdade de criar e inovar", com o objetivo de reduzir obstáculos regulatórios que possam dificultar o aporte de investimentos no país.
O que dizem sobre soberania tecnológica?
Ambos os candidatos defendem que o Brasil não deve ser apenas um consumidor de tecnologia, mas os modelos divergem no papel do governo. Lula propõe uma política de soberania digital com foco na construção de infraestrutura nacional, incluindo investimentos em data centers, serviços de nuvem e modelos de linguagem em português.
O programa de Lula prevê, ainda, que novos data centers tenham contrapartidas de conteúdo local e capacidade computacional para o mercado brasileiro. Por outro lado, Flávio foca na combinação entre energia limpa, minerais críticos e formação de talentos para produzir tecnologia no país.
A proposta de Flávio busca elevar a participação brasileira em patentes de IA e apoiar o desenvolvimento de hardware e software de alto desempenho por meio de um ambiente regulatório favorável à atração de capital estrangeiro.
Como as propostas afetam juros e política fiscal?
Nenhum dos candidatos estabeleceu uma meta específica para a taxa Selic, mas ambos vinculam a queda dos juros ao equilíbrio econômico. Lula afirma que pretende criar condições para uma redução sustentada combinando inflação controlada e responsabilidade fiscal, mantendo o atual arcabouço fiscal.
Flávio associa juros menores à organização das contas públicas, com o objetivo de estabilizar e reduzir a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB), buscando levar a taxa para a média internacional.
No campo fiscal, as visões são opostas. Lula defende o aumento da arrecadação por meio de justiça tributária, com maior cobrança sobre os mais ricos, e a continuidade da reforma tributária do consumo. Flávio propõe uma política mais contracionista, prevendo superávits primários, controle de gastos dos três Poderes e o que chama de "Tesouraço" para reduzir o tamanho da máquina pública.
