Lula questiona se Congresso restabelecerá escala 6x1 após mudança nas leis trabalhistas
Presidente afirmou que o fim da jornada 6x1 é uma conquista do povo e destacou que muitas categorias já operam no modelo 5x2
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (19) que duvida que o Congresso Nacional consiga retomar a escala de trabalho 6x1. A expectativa é que a composição da Casa seja de perfil mais à direita a partir de 2027, mas o presidente declarou que o fim da jornada atual é uma conquista consolidada da população.
A medida que encerra a escala 6x1 foi promulgada pelo Legislativo na última sexta-feira (16). Lula argumentou que o processo não é uma decisão exclusiva do governo federal e que diversas categorias profissionais já operam sob o regime de jornada 5x2.
Ao ser questionado sobre as compensações que setores econômicos deveriam receber devido ao impacto da medida, o presidente relembrou o histórico de resistência a direitos trabalhistas no país. Ele citou como exemplos de avanços que sofreram oposição a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, e a instituição do 13º salário, em 1962.
Lula também direcionou críticas ao setor empresarial ao comentar sobre o impacto na renda e o comportamento de consumo dos trabalhadores. Para o presidente, o desejo de lazer pelo povo pobre é frequentemente subestimado pelos setores produtivos.
O presidente defendeu que, caso haja ganho de renda ou de tempo livre, o trabalhador utilizará os recursos para atividades como viagens e passeios, comparando o direito ao descanso ao que é praticado por setores de maior poder aquisitivo.
Outro tema abordado foi a defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê tarifa zero de ônibus aos fins de semana. O governo federal deve encaminhar a proposta ao Congresso ainda nesta semana, antes do segundo turno das eleições presidenciais, agendado para o próximo domingo (25).
A implementação da tarifa zero tem um custo estimado de aproximadamente R$ 16 bilhões por ano. Segundo o presidente, o custeio da medida será viabilizado por meio de parte das emendas parlamentares de deputados federais.
Lula previu que a proposta gerará negociações com o Congresso Nacional, mas afirmou acreditar que não haverá grandes problemas. Segundo o presidente, os congressistas devem aceitar a concessão de parte das emendas para permitir que seus eleitores utilizem o transporte público gratuitamente para visitas e lazer.
