Mulheres representam 54% do eleitorado de Uberlândia e detêm peso decisivo para vencer eleições
Com 290.606 eleitoras, grupo feminino possui vantagem de 43 mil votos em relação aos homens no município.
Por Redação Diário Local
As mulheres representam 54% do eleitorado de Uberlândia, somando 290.606 eleitoras entre os 538.195 cidadãos aptos a votar no município. Os dados, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram que o grupo feminino possui uma vantagem de mais de 43 mil votos em relação ao eleitorado masculino.
Essa diferença numérica é superior à votação de diversos candidatos eleitos para cargos no Legislativo em pleitos anteriores. Em Uberlândia, a tendência de predominância feminina nas urnas é observada há décadas: em 1989, as mulheres já representavam 50,75% dos votantes da cidade.
Como é o perfil das eleitoras?
O eleitorado feminino em Uberlândia apresenta índices de escolaridade acima da média masculina. Segundo os dados, 61,14% das mulheres concluíram o Ensino Médio, enquanto entre os homens o índice é de 55,5%. No nível de ingresso no Ensino Superior, o percentual feminino é de 29,3%, contra 25,4% dos homens.
Moacir de Freitas Júnior, professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), afirma que o eleitorado está se tornando mais velho, mais escolarizado e mais feminino. Segundo o docente, há uma concentração de eleitoras entre 50 e 60 anos, com perfil atento e politizado.
Qual o impacto nas decisões políticas?
A socióloga e cientista política Alecilda Oliveira destaca que as mulheres formam um bloco estratégico nas eleições. Devido ao seu volume absoluto, os candidatos são compelidos a dialogar com pautas de interesse feminino, como saúde da mulher, violência doméstica, disparidade salarial, além de questões de infraestrutura e cuidado, como creches e transporte coletivo.
A especialista aponta que o voto feminino não é uniforme, existindo diferentes posicionamentos políticos, desde pautas progressistas até conservadoras. Além disso, Alecilda ressalta que, embora sejam maioria nas urnas, as mulheres ainda sofrem com a sub-representação em cargos de poder no Executivo e no Legislativo.
Desafios e debates sobre o voto
O direito ao voto feminino, consolidado na Constituição de 1934, tem sido alvo de debates em redes sociais por grupos ligados a movimentos conhecidos como "red pill". Essas correntes defendem a restrição da participação política feminina, sob o argumento de que elas influenciariam negativamente os resultados.
Para a cientista política Alecilda Oliveira, esse tipo de debate reflete uma tentativa de deslegitimar a vontade da maioria do eleitorado. Segundo ela, o surgimento de tais discussões indica uma preocupação de grupos minoritários diante do crescente peso político das mulheres nas democracias modernas.
