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Democracia

ONU Mulheres propõe diretrizes para candidatas e partidos combaterem desigualdades de gênero

Documento da ONU Mulheres apresenta medidas para reduzir violência e ampliar participação política de mulheres e pessoas negras

Por Redação Diário Local

A ONU Mulheres, braço da Organização das Nações Unidas, publicou um documento com propostas destinadas a candidatas, candidatos, partidos políticos, instituições públicas e à sociedade. As medidas buscam reduzir a violência e as desigualdades de gênero em temas como participação política, trabalho, cuidado e crise climática.

O objetivo do documento é ampliar o debate público e apresentar caminhos para transformar direitos reconhecidos em políticas públicas efetivas. Segundo Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil, as propostas servem como caminhos para que a democracia brasileira represente, de fato, a maioria de sua população.

Quais são as principais propostas da ONU Mulheres?

Para ampliar a participação feminina em cargos eletivos e na direção dos partidos, a entidade propõe a definição de prazos e metas numéricas para a paridade de gênero, além da publicação de resultados para acompanhamento social. No campo eleitoral, sugere fiscalização para que o dinheiro de campanha chegue às candidatas de forma justa e tempestiva, especialmente às mulheres negras.

Outro ponto central é o combate à violência política contra a mulher. A proposta defende que a legislação vigente seja aplicada na prática, com o fortalecimento de canais de denúncia acessíveis, proteção aos denunciantes e uma resposta coordenada entre as instituições para enfrentar agressões que ocorrem inclusive no ambiente digital.

A entidade também defende que o machismo seja tratado como um problema público. Isso inclui a criação de estratégias para mudar normas que naturalizam a violência, educação para a igualdade desde a infância e o financiamento de organizações de mulheres que acompanham essas transformações.

Como o documento aborda o trabalho e o cuidado?

A ONU aponta a necessidade de implementar o Plano Nacional de Cuidados, com a ampliação de creches e serviços que garantam proteção social e salário digno às trabalhadoras do cuidado. O documento destaca o desequilíbrio na divisão de tarefas no Brasil, onde mulheres dedicam 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados, enquanto homens dedicam 11,7 horas.

No mercado de trabalho, a proposta é garantir igualdade salarial, trabalho formal e proteção social. A entidade ressalta que, no Brasil, as mulheres recebem cerca de 21% menos que os homens em empresas com mais de 100 funcionários. Além disso, busca-se o acesso de mulheres a empregos verdes, crédito e assistência técnica.

Qual o impacto da crise climática para as mulheres?

O documento alerta que, até 2050, a crise climática pode levar 158 milhões de mulheres e meninas à pobreza extrema. Para enfrentar esse cenário, a ONU reforça a importância de direcionar o financiamento climático para quem protege o território, com critérios que considerem gênero e raça.

A proposta também exige a participação paritária de mulheres, incluindo negras, indígenas e quilombolas, em órgãos de governança climática. A ideia é garantir que as políticas climáticas considerem o impacto nos diferentes grupos sociais e reservem orçamento específico para essas ações.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.