Tribunais têm menos mulheres que a população brasileira, aponta pesquisa
Estudo da organização Justa revela que apenas o TJ-RJ possui proporção de juízas superior ao percentual de mulheres no país.
Por Redação Diário Local
A proporção de mulheres nos tribunais de 24 de 25 estados brasileiros é inferior ao percentual de mulheres na população nacional, que é de 51,5%. O dado faz parte da pesquisa “Gênero, Poder e Remuneração nos Tribunais de Justiça Brasileiros”, lançada nesta quinta-feira (20).
O levantamento foi produzido pela organização Justa, que atua no campo da economia política da Justiça, e revela que apenas o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) apresenta uma composição com mais juízas do que juízes. Além disso, o TJ-RJ foi a única corte analisada cuja proporção feminina superou a média nacional de mulheres no país.
O estudo aponta que o cenário de representatividade é ainda mais restrito no cargo de desembargador. Segundo a pesquisa, nenhum tribunal alcançou o percentual de mulheres que compõe a população brasileira no nível de desembargadoras.
Apesar da baixa representatividade nas instâncias superiores, houve avanços pontuais entre 2024 e 2025. O maior crescimento foi registrado no Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJ-RO), que passou de zero para três desembargadoras no período.
Em relação à liderança das instituições, o levantamento indicou que, em junho de 2026, quatro tribunais de justiça eram presididos por mulheres. As cortes de Espírito Santo, Paraná, Sergipe e Tocantins figuram na lista de presidências femininas.
A pesquisa foi elaborada com base em dados das folhas de pagamento de membros ativos, obtidos nos Portais da Transparência de 25 estados. O diagnóstico encontrou limitações metodológicas em duas unidades da federação: o Amapá não disponibilizou a totalidade de suas folhas e Santa Catarina não permitiu a exportação estruturada dos dados.
O levantamento ocorre em um contexto de novas diretrizes para o setor. O estudo foi realizado após a Resolução 525 de 2023, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabeleceu medidas para ampliar a presença de mulheres nos tribunais de 2ª Instância.
Conforme a definição da organização Justa, o objetivo de suas atividades é analisar como a relação do sistema de Justiça com outros Poderes e com a economia impacta a experiência democrática e a vida da população.
