Pesquisa mostra que queda na abstenção e mudança de percepção decidiram eleição presidencial
Estudo da Quaest aponta que mobilização de eleitores e mudanças no ambiente digital alteraram o cenário entre os dois turnos da eleição
Por Redação Diário Local
A eleição presidencial de 2026 foi definida por mudanças profundas na percepção dos eleitores e por uma redução histórica na abstenção. Segundo dados da pesquisa Quaest, a mobilização nos urnas e a movimentação no ambiente digital foram fatores decisivos para o desfecho do pleito.
No primeiro turno, o foco do eleitorado estava voltado para a avaliação do governo federal. Naquele momento, o medo da continuidade do governo era de 43%, superando o receio da volta da família Bolsonaro, que era de 40%. Esse cenário contribuiu para que Flávio Bolsonaro passasse à frente na primeira etapa da disputa.
Contudo, ao longo do segundo turno, a expectativa de vitória mudou de lado. A maioria dos entrevistados (51%) passou a acreditar na vitória de Lula. A pesquisa indica que o plebiscito mudou de natureza: de uma decisão sobre a manutenção do governo para uma decisão sobre a possibilidade de um novo governo Bolsonaro.
Como a abstenção caiu no segundo turno?
Um dos fenômenos mais marcantes foi o recuo no número de eleitores que deixaram de votar. A abstenção nacional caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,22% no segundo turno, o menor percentual registrado desde 2006. O movimento foi ainda mais intenso nas grandes metrópoles.
No Rio de Janeiro, a abstenção recuou de 26,1% para 23,0%, com 156 mil eleitores a mais comparecendo às urnas. Em São Paulo, o índice caiu de 23,4% para 20,4%. Já em Salvador, o recuo foi de 20,1% para 15,7%, refletindo a ida de 85 mil eleitores que haviam faltado na etapa anterior.
Além disso, os votos brancos e nulos apresentaram queda, passando de 4,77% para 3,24%, o menor percentual do século. Essa mobilização foi observada principalmente em bairros com renda média mais baixa e entre o eleitorado jovem.
Mudança no ambiente digital
O engajamento nas redes sociais também desempenhou um papel crucial. O índice de popularidade digital (IPD) da Quaest registrou uma virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro no ambiente digital após o primeiro turno. Enquanto Flávio liderava com 78,0 pontos contra 72,2 de Lula, na véspera do segundo turno o cenário mudou para 82,7 a 76,2 em favor do atual presidente.
A pesquisa aponta que a mobilização digital foi um dos motores para o crescimento do medo da volta dos Bolsonaro ao poder, que chegou a 45%, superando o medo da manutenção de Lula, que era de 42%.
