Especialistas defendem novas políticas de segurança e combate à desigualdade para o Rio de Janeiro
Durante a FLIP, especialistas apontaram que o combate ao crime deve ir além da lógica policial e focar em dados e redução de desigualdades.
Por Redação Diário Local
Especialistas afirmaram que o Rio de Janeiro precisa construir políticas públicas baseadas em dados, investigação e redução de desigualdades para superar desafios atuais. O debate ocorreu nesta sexta-feira (24), na Casa República, durante a Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP).
Durante o encontro intitulado “O Rio tem jeito?”, os estudiosos apontaram que o estado deve abandonar as respostas utilizadas há décadas frente às situações desafiadoras que enfrenta. Entre os temas centrais estavam o avanço de facções criminosas e milícias, a expansão da criminalidade e a necessidade de estratégias que ultrapassem o modelo exclusivamente policial.
A Segurança Pública foi destacada como um dos temas decisivos para a disputa eleitoral de 2026. Os participantes discutiram como a desigualdade impacta a segurança e a importância de formular novas diretrizes para o estado.
Como o crime organizado mudou o papel do Brasil no tráfico?
Cecília Olliveira, fundadora do Instituto Fogo Cruzado, afirmou que existem sinais de mudanças nas estratégias de combate ao crime. Para ela, operações fundamentadas em inteligência e dados representam alternativas ao confronto permanente, mas tais métodos são frequentemente desprezados nas políticas estaduais de segurança pública.
A jornalista também alertou para a mudança de posição do Brasil na cadeia do narcotráfico internacional. Segundo Olliveira, o país deixou de ser apenas uma rota de distribuição para ocupar um lugar de destaque na produção e no refino de drogas, tornando-se um protagonista global nesse processo.
O debate também trouxe reflexões sobre o papel do sistema penitenciário na formação de grupos criminosos e como a estrutura do Estado influenciou a criação de facções que hoje desafiam o Rio de Janeiro.
Qual o impacto da violência nas periferias?
O ativista Raull Santiago, fundador do Instituto Papo Reto, destacou o impacto da violência sobre os moradores das periferias e mencionou que a fragmentação territorial fluminense é resultado de escolhas políticas de diversos governos. Para ele, os diferentes modelos de ocupação policial não conseguiram romper os ciclos de violência existentes.
Santiago defendeu que as periferias devem ser reconhecidas como espaços de produção de soluções. Segundo o ativista, a própria dinâmica das comunidades busca criar pontes e resolver crises de forma coletiva.
Ricardo Henriques, presidente do Instituto Unibanco e conselheiro da Anistia Internacional Brasil, relacionou os desafios do estado à crise democrática do país. Ele defendeu que a retomada do Rio de Janeiro exige a compreensão de como grupos se organizam com base na naturalização da violência.
Por fim, o economista Fábio Giambiagi refletiu sobre os desafios estruturais da administração estadual e a necessidade de recuperar a capacidade de planejamento do governo. O grupo concluiu que a reconstrução do estado depende de sinergia entre segurança, investimento social e fortalecimento institucional.
